A raposa e a Premier League

Esopo foi um escritor da Grécia Antiga considerado o pai do gênero literário conhecido como fábula. O fabulista grego, que partia da cultura popular da época para compor seus escritos, sugere normas de conduta de caráter moral, exemplificadas pelas ações de animais que falavam, cometiam erros, eram sábios ou tolos, maus ou bons, exatamente como nós, os homens.

Em sua mais conhecida fábula, A Raposa e as Uvas, Esopo narra a frustração da raposa consigo diante do insucesso em colher as uvas e sua postura depreciativa ante a tarefa não cumprida o que impede que esta corrija suas falhas. Moral da história: ao não aceitar as próprias limitações, perde o indivíduo a oportunidade de corrigir suas falhas.

Assim é o pequeno Leicester City ou The Foxes como são conhecidos. Ao reconhecerem suas falhas assumem uma postura coletiva e intensa com extrema obediência tática que vem assombrando seus adversários.

Dinheiro também faz a diferença

Em 2010, o grupo asiático “Asian Football Investments” que tem como sócia a maior empresa de freeshops do mundo, a King Power, e cujo presidente é o tailandês Vichai Srivaddhanaprabha, comprou o clube. Desde então, o Leicester City trocou de fornecedora de material esportivo (Puma), conseguiu vender os naming rights do estádio para a própria King Power, retornando à primeira divisão nacional após uma década de ausência.

Fazer o simples

O técnico Claudio Ranieri armou um time num 4-2-3-1 bem definido e organizado, mas seu sucesso tem mais a ver com os conceitos de ocupação de espaço, forte pressão na bola e rápida transição para o ataque.

As raposas já soma 72 pontos, sete a mais que o segundo colocado, o Tottenham, São 21 vitórias e apenas 9 derrotas em 33 rodadas.

Ontem, a vítima foi o Sunderland batido em casa por 2 a 0, dois gols de Vardy que se consolida na vice artilharia.

Mitos caem por terra

Segundo dados da Squawka, o Leicester é o terceiro pior time no quesito posse de bola, com média de 46%, ficando à frente apenas do Sunderland, 45%, e West Brom, 44%. Quando tem a bola acerta apenas 71% dos passes. Como pode um time que erra tantos passes e fica tão pouco com a bola liderar o certame com folga? Mas afinal qual é o grande segredo do Leicester City?

O time organizado por Ranieri é incansável na marcação e, ainda no campo de ataque, há empenho dobrado para tentar roubar a bola quando o adversário está saindo para o jogo. Quanto mais próximo do gol adversário o time estiver quando roubar a bola, maiores serão as chances de fazer o gol. O atacante Jamie Vardy não costuma perder oportunidades de gol assim como seu colega no ataque Riyad Mahrez.

Há cinco rodadas do final, o clube que revelou talentos como Gordon Banks e Peter Shilton, se confirma como o bicho-papão do futebol Inglês. Coloca uma mão na taça e ensina ao mundo a importância da coletividade e organização. Ao aceitar as próprias limitações, o Leicester City está aproveitando a oportunidade e fazendo história.

Related Posts

Leave a Reply

%d blogueiros gostam disto: