Jornalistas esportivos saindo do armário.

Calma, o título não sugere coisa outra que não seja a revelação dos militantes do meio dos seus times do coração.

Em abril de 2014 escrevi uma coluna sob o título “JORNALISTA ESPORTIVO GAÚCHO. ESTE INFELIZ !”

O link, para quem quiser recordar e/ou não conhecia, é ESTE.

Reproduzo, aqui, alguns trechos do texto original:

É possível imaginar o sofrimento de um ser humano que passa a vida inteira amando loucamente uma mulher, envolvido numa paixão alucinante, arrebatadora, sem nunca poder contar para ela toda sua furiosa afetividade e devoção extrema? É possível compreender a angústia e a aflição de um homem ou de uma mulher que leva para o túmulo tendo carregado toda a sua existência um segredo mortal de guardar somente para si toda esta adoração, toda esta veneração? Penso que não existe dúvida alguma que o maior desejo de um homem seja o de dizer para sua adorada: eu te amo! Mas este desejo enlouquecedor só é superado pela aspiração de, tão logo lhe revelar seu tresloucado anseio, poder dizer ao mundo: EU AMO A FULANA! Sim, porque ao amante não basta dar conhecer à amada de sua paixonite, imperioso que o mundo conheça, isto é inerente ao ser humano, ninguém escapa desta.

Numa pitada de bom humor é de se lembrar a piada do cara que naufraga numa ilha deserta com a Sharon Stone e lhe salva a vida. Ela, agradecida, se entrega a ele numa conjunção carnal comovente. Saciado em seu apetite sexual, ele lhe pede um grande favor – como se tivesse outro maior do que o próprio…mas tem, ai é que tá…Pede-lhe que ela se vista de homem, simulando uma barba e um bigode e faça a volta, o contorno na ilha, porque ele vai lhe encontrar ali adiante. E ela, agradecida pela vida, lhe atende, e assim procede. Entre os trapos do naufrágio ela se traveste de homem e sai a caminhar. Ele faz a volta, lhe encontra e tratando-a como um grande e velho amigo lhe dirige a palavra: Cara, sabe quem eu tô comendo? Pois é, não basta amar, não basta dizer para a amada que a ama, há que se declarar ao mundo que se ama e a quem se ama! E ´upgrade` da paixão, entre dois seres humanos, evidente, é o beijo, o sexo, a conjunção carnal, ali sublima-se todo o encantamento do amor! O oposto é o desamor, a traição, ou o abandono, a dor de cotovelo, a tristeza. Pois sabemos, isto é dado como favas contadas, que o amor, a paixão, por um clube, se processa com sentimento da mais pura fidelidade pois esta nasce e morre com o indivíduo, tirante, é claro, os vira casacas que são raríssimas e nada honrosas exceções.

[…]

Senhores, aqui no RS o cara ou nasce Ximango ou nasce Maragato, ou nasce Gremista ou nasce Colorado, não tem meio termo. E o sexo do futebol está na vitória: ela é o orgasmo, o sujeito pula, vibra, extrapola, salta fora do planeta de alegria e contentamento; na derrota é a dor, a tristeza, a ´fossa`. Quem nunca sofreu por amor, não sabe o que é amor; que nunca perdeu, não sabe o que é a emoção de ganhar, e vice-versa. TODO MUNDO TEM TIME. Menos o jornalista esportivo gaúcho. Este não pode senhores, REVELAR O SEU TIME DO CORAÇÃO.

[…]

Então, talvez por isto, o jornalista esportivo resolveu viver enclausurado, aprisionado, abafado, sufocado: ele não pode dizer ao seu time: EU TE AMO GRÊMIO ou eu te amo…! Ele não pode, se nega o direito de poder, GRITAR AO MUNDO BATENDO NO PEITO: EU SOU GREMISTA, ou eu sou c…! Não, ele tem que ficar enrustido, escondido, atrás da mesa, da latinha ou da câmara, ali, como se fosse uma alienígena num Estado em que tu é uma ou outra coisa! Esta a exceção no Estado, o jornalista esportivo NÃO É NADA! Ele não tem clube, ele não torce, ele não desfruta desta paixão, deste amor: na aparência. Ele é uma pedra. Das que não rolam.

Pois no texto eu convocava uma campanha para que o meio esportivo do RS se libertasse deste folclore absurdo, o público acredita ou não no que lê e escuta pela credibilidade de quem fala e escreve, não pelo clube que torce. Finalmente começaram a revelar. Antes tarde do que nunca. Por enquanto são poucos, se não sairem todos do armário nós torcedores poderemos devolver a brincadeira dos palhaços. Lembram dela ? Está na foto!

Saudações Tricolores.

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