Cada um tem seu preço

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Tite finalmente assume o comando da Seleção. Era quase uma unanimidade. O “quase” que confirma o acerto. O sucesso de seus últimos trabalhos não só lhe habilitou ao posto, como o colocou no topo da lista.

Dunga era mais do mesmo. Sua primeira passagem foi apenas “OK”. Não tinha méritos para estar no cargo. Seu pior “crime” foi destruir o papel ideológico do futebol na sociedade.

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Sim, amigos! O futebol tem o poder analgésico de reduzir a compreensão das condições materiais e sociais existentes. O professor, Dr. Roberto Ramos, em sua obra Futebol: Ideologia do Poder, desenvolve, brilhantemente, a hipótese do futebol como agente mistificador da realidade, preenchendo espaços consideráveis em nossas vidas. Somam-se a isso, o questionável desempenho apresentado e a falta de resultados. Feito! Temos o coquetel perfeito da insustentabilidade.

Mas Dunga não preparou esse Dry Martini sozinho. Teve ajuda da CBF e de seus “estáticos” (física e moralmente) dirigentes que protagonizaram sucessivos escândalos de repercussão internacional.

É aí que a coisa pega. Em dezembro, Tite assinou um manifesto pedindo a renúncia do presidente Marco Polo Del Nero, colocando-o como tripé de um sistema corrupto atávico dentro da entidade. Quando questionado sobre esta incoerência, se auto definiu como a gênese das mudanças.  Seus argumentos de paladino da moralidade, da democratização e transparência não convenceram. Pelo menos a mim.

O manifesto é claro. Questiona a conduta das pessoas, não só a mudança de atitudes. Cheira a cadáver ser signatário de um manifesto que pede a responsabilidade judicial pela corrupção disseminada e a renúncia de um presidente e, menos de 6 meses depois, associar-se a este. Fica mais esse estigma na biografia de Tite.

O gringo dará sequência à dinastia gaudéria no selecionado, mas terá que carregar essa mancha na lapela de sua camisa azul-royal. E esta é daquelas incômodas, que nos deixam desconcertados em público e que, mesmo rezando para que ninguém perceba, volta e meia, alguém fustiga: Tua camisa está manchada?

Pode até tentar atribuí-la a um descuido com um bom cabernet sauvignon proveniente da Serra Gaúcha, mas o cheiro entrega.

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