ELEIÇÕES E FUTEBOL | Por Carlos Josias

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Anos participando ativamente da política clubística nunca entendi que questões do tipo, salvo raríssimas exceções, interferissem no vestiário a ponto de atrapalhar o futebol, e olha que presenciei momentos de grandes turbulências.

Seis anos afastados deste meandro politizado não mudaram minha opinião.

Não me recordo, com exatidão, de nenhum episódio que isto tenha ocorrido, ainda que tenha ouvido muitas queixas de todos os lados – o que é normal, em especial de quem está em condição inferiorizada no pleito. O choro faz parte da vida de embates. O Grêmio vivenciou, a meu juízo, duas situações em que o tempo demonstrou que a forte maioria de um nicho político não fez bem. 70% em 2007 e 100% em 2010 consagraram a frase antológica do dramaturgo: toda unanimidade é burra. Fomos burros nisto. Esmagar a oposição nunca é saudável. Toda oposição é salutar ( desde que não seja destrutiva ) e necessária. Extinguir lado contrário é de uma burrice estupenda e atrasa o clube consideravelmente. Os 100% de 2010 foi um atraso e tanto, foram passos largos para o retrocesso.

O último pleito para o CD pode-se dizer que foi um avanço neste sentido. Ainda que com maioria a situação ( por competência do colégio eleitoral ) não devorou os oposicionistas e mantém um processo evolutivo imperioso para que haja alerta aos vencedores, fiscalização pelos minoritários, e avanço para a instituição. É assim que se cresce. Neste passo o grupo que lidera a situação se manteve em maioria mas três outras chapas cumpriram papel digno e equilibram uma vigia imperiosa para que se evitem abusos, mesmo que infelizmente uma chapa tenha ficado de fora, o que, no meu pensar, foi uma pena.

O Grêmio do Prata ficar afastado do processo presencial da vida do clube não foi salutar. Este quadro é infinitamente melhor que o anterior, mas ainda pende questão que me força a dizer, merecedora de reparos: a inadequada época da disputa. Houve um tempo em que eleições se realizavam após o último jogo da temporada. Não tenho nenhuma dúvida de que a ocasião ( setembro/outubro ) de renovação de CD e Executivo é imprópria. Mesmo que, mantenho a posição, não veja nisto interferência no futebol. No vestiário, no futebol, não, mas em regra favorece a quem é governo. A ideia de que enfrentamentos acirrados possam causar danos em meio às disputas de campo pesam sim nos eleitores e isto acaba, também na regra, favorecendo a quem governa. E julgamento de gestão, gostem ou não, justo ou não, são firmadas em cima de resultados. O clube é de futebol, não de ´chá` ou de ´literatura`. E por mais cruel que possa ser, nada melhor ao eleitor que o resultado final das quatro linhas para bem ou mal julgar um governo. Isto precisa mudar. Por uma questão de justiça, não de política. E estas não se confundem.

Que o CD que entra, do qual faço parte, tenha vontade política de mudar este quadro. Pode não ser bom para este ou aquele grupo, mas é bom para o Grêmio. E ainda resisto a ideia de que o que é bom para os grupos seja bom para o clube. O clube fica muito acima dos grupos, o contrário é que é verdadeiro, o que é bom para o Grêmio tem de ser bom para os grupos. Se assim não aceitarem, aceitem de que o que é bom para o Grêmio é bom para os Gremistas.

Saudações Tricolores.

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