A INVASÃO DAS ESCOLAS E A “BOCA LIVRE” DA EDUCAÇÃO | Por Yeda Crusius

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A invasão de centenas de escolas em vários estados brasileiros evidencia a necessidade de rediscutir direitos e responsabilidades. Com tudo e sempre, vale lembrar, essa questão se impõe. O mundo vai mudando sempre, e as regras legais para a convivência pacífica (o que desejo) devem tentar sincronizar-se às mudanças. Somos um povo que por vários e importantes motivos, desde a nossa colonização e a instabilidade das crises que desde então vivenciamos, fomos sendo levados a olhar só um lado da moeda: nossos direitos. Já quanto a assumir as responsabilidades que deles decorre, “ah, isso não é comigo, é com o governo”. Só que não. O governo somos todos.

Já vai muito longe a realidade de uma população rural muito maior que a urbana, assim como de uma pirâmide etária que não tem mais a forma de pirâmide e sim de um barril. Hoje a população urbana ganha longe, e isso traz uma agenda de prioridades diferente da dos anos 1960. Serviços públicos, saúde com acesso às tecnologias da área, saneamento, transporte público, energias renováveis, segurança pública. Hoje também já não somos uma pirâmide com uma larga base de jovens menores de 21 anos, que tinham como realidade sua carregar menos gente que a soma dos jovens, sendo quase leve carregar os que já se aposentaram por terem trabalhado a vida toda. Daí a necessidade das reformas: reformar sistemas que podem ter funcionado em outros tempos, mas que não refletem mais a realidade que os números nos mostram.

O mesmo temos que considerar quando o direito a tudo, individual ou coletivo, exige um limite de liberdade em que batemos quando o que considero meu direito, o que é certo, o que é justo, bate no direito dos outros que pensam diferente, ou que eu afeto em seus direitos quando busco exercer o meu. Direito de manifestação é só isso: direito de manifestação. Quando a manifestação se dá pela invasão de escolas, impedindo que os outros atores da educação exerçam o seu direito de estudar como acham que podem, então passou dos limites da civilidade, da convivência social.

Nasce e cresce um conflito desnecessário. Desnecessário porque há alternativas não políticas e ideológicas ao “ocupar” escolas públicas como se elas dos invasores fossem. Como, por exemplo, acampar nas praças – já aconteceu em todo o mundo. Com gigantescos resultados para o que as manifestações se dirigiam, como a queda das ditaduras de três décadas do Oriente Médio. O espaço das escolas é público para realizar o processo educativo, para exercer o voto, para fazer o ENEM. Não é deles, como a Petrobras não era do PT. Com a violência, aprofunda-se a divisão da sociedade brasileira, desejo mais que provado dos bolivarianos – e o resultado dantesco vemos mais claro na Venezuela. Quem quer? Depois não venham cobrar os imensos prejuízos “do governo”. Sejam o governo. Já foram – e é só ver nos indicadores de educação que fracassaram. Não era educação que queriam.

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