O tratamento | Por Fernando Albrecht

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Cerveja pode ser mais eficaz que paracetamol no alívio da dor. Segundo novo estudo, o álcool reduz a intensidade da dor de forma mais efetiva que outros analgésicos. Cachaça muito mais. Depois de três doses, a dor reduz pela metade; depois de seis, perguntado se o paciente ainda sente dor ele responde: “Que dor?”

Não é novidade. Nos filmes clássicos de faroeste era comum o mocinho tomar várias talagadas de whiskey para enfrentar a dor de uma cirurgia de extração de bala disparada pelo bandido.

Certa vez, um médico me disse que havia um benefício do álcool que ele nunca relevava para seus pacientes chegados em uma garrafa: álcool eleva o colesterol bom. Imagina, é tudo que um borracho quer ouvir. Aliás, há muitos anos, contei a uma parente de minha mulher que a cerveja também continha substâncias benéficas para o coração e circulação semelhantes ao vinho. Ela ouviu com toda a atenção. Meses depois, voltei a encontrá-la e ela me puxou pela manga para me contar um segredo.

– Sobrinho, como foi útil a tua dica. Comprei um engradado de Brahma e bebi todas em um dia e meio. Então estou curada.

O mocotó da americana

A turista alemã queria conhecer a culinária tipicamente gaúcha em Porto Alegre. Com alguma dificuldade, conseguiu que a amiga que a hospedava a levasse para o Mercado Público. A amiga também não conhecia bem o que vinha a ser culinária tipicamente gaúcha – para ela era churrasco, carreteiro e deu. Percorreram os restaurantes da volta do Mercado até que ela leu um aviso “Temos suculento mocotó”. Todo mocotó é suculento, posto que é quase uma sopa, mas deixa pra lá.

A gringa queria saborear o prato, que de tipicamente gaúcho não tem nada. Mas do que era feito, quais os ingredientes? Um garçom que tirou curso avançado de ze buque iz on ze teible encarou a parada dura. Deixa comigo, garantiu, peito estufado de orgulho.

– Zis is a soupe, bins uaite and trips but trips are very clin, understengue?

Nenhuma das duas captou o inglês do poliglota, tirando “bins” que compreenderam como beans, feijão, e, a duras penas, o very clean, mas ficaram boiando no uaite, no soupe, e não abriram o olho com trips, as tripas na versão volta do mercado. Pela pronúncia, trips remetia a viagem.

Talvez convicta que esse “mocotou” propiciava algum tipo de viagem lisérgica ou efeito semelhante, a americana alimentou alguma fantasia erótica, sabe-se lá. Seja como for, o inglês do garçom que mais parecia cruza de esperando com o dialeto urdú do Iraque a convenceu A brasileira não quis nem saber, fez cara de nojo, mas a turista americana adorou o sabor.

O tal garçom já faleceu há muitos anos, mas contam que morreu feliz por ter falado um inglês impecável, a tal ponto que a turista captou a mensagem.

– Isso que nunca estudei ingleis de verdade, então sou bom pra caramba, podes crer!

Foi outra trip daquelas.

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