Torturadores de alface | Por Fernando Albrecht

Torturadores de alface | Por Fernando Albrecht

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Estou dizendo que, um dia, ainda vão descobrir que o cigarro faz bem para alguma coisa. Senão, vejamos. Estava eu em posição zen deitado na minha cama comprada de um rei de Pasárgada, vendo o programa Primeira Página no canal SIC, a TV portuguesa, quando levei um susto. O programa exibe as capas das principais e revistas portuguesas e europeias, e, em um dado momento, não quis acreditar no que lia. A apresentadora mostrava as capas das publicações e em uma delas estava: “Um copo de vinho por dia pode causar cancro”, ou câncer na língua de Camões.

Esfreguei os olhos. A não ser que tenha sido erro de quem fez o título, ou quem sabe uma parte da frase escondia algum “evita” o cancro, mas não estou tão maluco nem tão cego assim. Valha-me meu bom José de Arimateia. Até tu, flavonóide, até tu estás a semear a cizânia no universo dos alimentos saudáveis? Olha que algum tomate ou brócolis pode te processar! Plantas sentem dor e alegria como os humanos, vocês sabem. Pode-se ouvir o grito de dor dos alfaces quando são mastigados, os uivos dos vegetais cozidos no vapor. Yes, verduras e legumes estão sendo exterminados pelos naturebas radicais.

Quando eu fazia o Jornal Gente, da Rádio Bandeirantes, que Deus o tenha, o Affonso Ritter teve um ataque e disparou, em sequência, lemas apocalípticos.

– O ar que respiramos está poluído, a água que bebemos está contaminada, frutas e verduras estão cheias de agrotóxicos…

Neste ponto eu o atalhei:

– Se assim é, como vivemos cada vez mais tempo?

 

  • Torturadores de alface

    PUBLICADO POR:  • 7 JUL • PUBLICADO EM: CASO DO DIA •

    Estou dizendo que, um dia, ainda vão descobrir que o cigarro faz bem para alguma coisa. Senão, vejamos. Estava eu em posição zen deitado na minha cama comprada de um rei de Pasárgada, vendo o programa Primeira Página no canal SIC, a TV portuguesa, quando levei um susto. O programa exibe as capas das principais e revistas portuguesas e europeias, e, em um dado momento, não quis acreditar no que lia. A apresentadora mostrava as capas das publicações e em uma delas estava: “Um copo de vinho por dia pode causar cancro”, ou câncer na língua de Camões.

    Esfreguei os olhos. A não ser que tenha sido erro de quem fez o título, ou quem sabe uma parte da frase escondia algum “evita” o cancro, mas não estou tão maluco nem tão cego assim. Valha-me meu bom José de Arimateia. Até tu, flavonóide, até tu estás a semear a cizânia no universo dos alimentos saudáveis? Olha que algum tomate ou brócolis pode te processar! Plantas sentem dor e alegria como os humanos, vocês sabem. Pode-se ouvir o grito de dor dos alfaces quando são mastigados, os uivos dos vegetais cozidos no vapor. Yes, verduras e legumes estão sendo exterminados pelos naturebas radicais.

    Quando eu fazia o Jornal Gente, da Rádio Bandeirantes, que Deus o tenha, o Affonso Ritter teve um ataque e disparou, em sequência, lemas apocalípticos.

    – O ar que respiramos está poluído, a água que bebemos está contaminada, frutas e verduras estão cheias de agrotóxicos…

    Neste ponto eu o atalhei:

    – Se assim é, como vivemos cada vez mais tempo?

    A galeria

    Numa dessas escapadas paralelas à minha profissão, fiz alguns projetos de comunicação empresarial na área habitacional, quando o BNH reinava de norte a sul. Um dos projetos financiados pela empresa ficava em Florianópolis. Que não bombava como hoje. Charmosa e coisa e tal, mas recém as praias paradisíacas começavam a ser descobertas. Pois, a certa altura, eu precisava da ajuda do Governo do Estado, faltavam-me dados específicos sobre determinado quadro.

    Fiquei no recém-inaugurado hotel Flops, como era chamado. A gauchada se hospedava mais no Querência, até pelo nome. Munido de algumas recomendações fui ao Palácio do Governo procurar o setor competente – o governador. Meu anfitrião foi Napoleão Xavier do Amarante, que fora ou ainda era Chefe da Casa Civil. Nunca esqueci do nome por motivos que passo a relatar.

    Enquanto esperávamos a audiência, Amarante me levou a um salão apinhado de fotos de ex-secretários de Governo e de políticos famosos. Olha, pelo menos meia centena de personagens estavam penduradas na paredes. Napoleão passou a apontar um por um, quem era, qual o maior feito, suas fraquezas e vícios, enfim, a parte de cima e a de baixo do iceberg. Fiquei impressionado como ele sabia da vida de todo mundo político-administrativa de Santa Catarina, e falei isso para ele. Ele ficou pensativo por alguns segundos, mão não queixo, olhar vago viajando em alguma máquina do tempo. Então se virou para mim.

    – Rapaz, eu tenho pelo menos 40 anos de putaria cívica!

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