Na Venezuela a esquerda encaminha a ditadura, mesmo com protestos | Por Dilmar Isidoro

Na Venezuela a esquerda encaminha a ditadura, mesmo com protestos | Por Dilmar Isidoro

As atenções dos Governos, especialmente nas Américas, se voltam para acompanhar a crise econômica e política que arrasa a Venezuela e abala os observadores, tendo em vista os violentos e sangrentos confrontos entre Governo e opositores que se autodeclaram defensores ferrenhos da democracia e pedem a renúncia imediata do Presidente Nicolas Maduro que instalou uma assembleia constituinte com poderes totais por tempo indeterminado para governar o País. O parlamento de lá, controlado pela oposição, não reconhece a Assembleia Nacional Constituinte, criada pelo Presidente Nicolás Maduro e denunciou que as medidas tomadas confirmam o interesse de Maduro, um seguidor chavista, que quer instaurar a ditadura com o uso da força. O caos tomou conta do País, falta de tudo: alimentos, trabalho, medicamentos, liberdade de imprensa, segurança (…).

Para entender esse jogo de interesses políticos que chega a fase mais aguda, é preciso conhecer as origens da ideologia que se instalou naquele País para verticalizar seu sistema político. Depois que Hugo Chávez ascendeu ao poder pela via democrática em 1999, passou a se mostrar simpatizante das ideias radicais da esquerda e declarou sua aversão ao capitalismo. Sua crítica tinha como alvo o Governo dos EUA, chamando-o de imperialista.

Nos primeiros anos de Governo, Chávez alterou a constituição para se reeleger Presidente. Entre seus projetos de cunho socialista para o longo prazo, começou a ser concretizado quando alterou a Constituição Venezuela de 1961, chamando-a de Constituição Bolivariana com a mudança do nome do Estado para República Bolivariana da Venezuela. Também, houve outras providências como a criação de escolas e universidades com o adjetivo bolivariano, isto é, doutrinas voltadas para o convencimento do povo quanto às ideias socialistas.

Instalou-se, então, o que Hugo Chávez chamou de Revolução Bolivariana com discursos tencionados para alcançar a retórica em comícios emotivos e de cunho nacionalista para mudar a ideologia política local. A ideia era a de seduzir multidões para aderirem ao socialismo. Resumidamente, é possível dizer que, segundo a teoria marxista (Karl Marx), o socialismo é a etapa preliminar para alcançar o comunismo que, por sua vez, é um sistema de organização social que substitui o capitalismo, equalizando as classes sociais para sucumbir à figura do Estado. Isso é surreal, em nenhum Governo do Planeta vingou a ideia.

Surgiu, então, o jargão “chavismo”, que é um termo usado para identificar os apoiadores de Chávez que já pensava na sua longevidade no poder. É interessante observar o universo holístico da inspiração política de Simon Bolívar. De acordo com os registros históricos, ele foi um homem que cultuava pensamentos liberais e democráticos; liderou revoluções para independência da Venezuela, Peru, Colômbia, Equador e Bolívia. Por outro lado, o bolivarianismo de esquerda buscou nas lutas contra o domínio espanhol a inspiração anti-imperialista. As duas visões envolvem muitos nuances. O ideário bolivariano sempre foi flexível o bastante para permitir leituras de um lado e de outro.

Segundo a vasta literatura sobre Bolívar, há variadas interpretações acerca da figura do libertador que é reivindicada por todas as classes sociais da Venezuela, como sendo uma espécie de fator de unidade nacional. Assim, existe o bolivariano conservador, liberal e anticolonialista. Sabendo disso, e conforme sua proposta política mais conveniente, Hugo Chávez concentrou seus esforços políticos inspirado em quatro personalidades: [1] Simon Bolívar (o libertador das colônias espanholas na América Latina); [2] Douglas Bravo (guerrilheiro do Partido Comunista da Venezuela); [3] Norberto Ceresole (guerrilheiro de esquerda na Argentina) e [4] Fidel Castro (ditador comunista de Cuba por mais de meio século). Motivado por estes personagens, Chávez criou a Revolução Bolivariana para consolidar, por etapas, o socialismo.

No seu Governo, ele estreitou relações com a China, Rússia e Cuba para mostrar que não estava alinhado com a política externa dos EUA. Durante os 14 anos em que governou a Venezuela (1999-2013), Chávez teve, por um lado, seguidores incondicionais da sua “Revolução Bolivariana” e por outro, esbarrou na oposição ferrenha de milhares de seus compatriotas que já visualizavam a intenção dele de consolidar o regime ditatorial, seu maior objetivo. As relações de amor e ódio permaneceram até sua morte em 2013. Depois disso, seu sucessor, Nicolás Maduro se dispôs a consolidar a ideologia “chavista” e “bolivariana” com o uso da força militar. Vale lembrar que ele não tem o mesmo carisma político de Chávez e tem acumulado crescentes índices de rejeição ao seu Governo. Maduro convocou e instituiu a Assembleia Nacional Constituinte, cujos integrantes são seus correligionários com poderes ilimitados e por tempo indeterminado para governar o País.

Conforme a mídia internacional, mais de 80% da população rejeita sua gestão e 72% são contrários a seu projeto socialista. Tudo indica que ele quer transformar a Venezuela numa extensão de Cuba. A Assembleia Nacional Constituinte tem poder para destituir e nomear qualquer autoridade do Estado venezuelano, ditar e reformar leis além de tomar decisões sem a necessidade de consulta a qualquer outro poder, como ocorreu com a polêmica destituição da procuradora-geral do País Luisa Ortega por ter discordado das ideias e objetivos de Maduro.

A comunidade internacional tem emitido fortes protestos contra a ruptura do Estado Democrático. A Venezuela está em crescente isolamento internacional, começando pelos Países vizinhos latinos. Não podemos esquecer que os partidos políticos de esquerda no Brasil, especialmente PT, PC do B e PSOL, sempre apoiaram Hugo Chávez e Nicolás Maduro. Agora que a comunidade internacional repudia as ações autoritárias de Nicolás Maduro, estes partidos esquerdistas silenciaram e não ousam apoiar publicamente os atos arbitrários do ditador venezuelano que causa violência e dilacera vidas no seu País em nome do seu ideal socialista. Os partidos de esquerda no Brasil precisam saber que no nosso País não existe espaço para a Revolução Bolivariana. Nossa pátria é composta por cidadãos livres, empreendedores e que cultuam, sobremaneira, a liberdade e a democracia.

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