Refis, o prêmio | Por Fernando Albrecht

Refis, o prêmio | Por Fernando Albrecht

Todo mundo está fazendo Refis, e não é só o governo. Prefeituras fazem planos especiais de pagamento para contribuintes inadimplentes, empresas, clubes sociais fazem o mesmo, normalmente, com generosos abatimentos no principal e juros de pai para filho. Então vale a pena ser um perdedor.

É um recurso antigo, mas, aqui no Rio Grande do Sul, quem começou essa moda foram as prefeituras do Litoral. O veranista com imóvel deixava de pagar e, para fazer caixa para obras, os prefeitos acenavam com descontos mais que apetitosos para quem colocasse o IPTU em dia. Já vi casos em que escalonavam o pagamento deste imposto, o cara pagava duas ou três, e a roda começava de novo no final do ano.

E não vale a pena ser um bom pagador.

 

A surdez de Moisés

Algumas passagens bíblicas foram divulgadas como sendo imune à interpretações, mas, com o correr dos séculos, a Santa Madre foi abrandando a rigidez. Vale lembrar que o Antigo Testamento é a Torá, a bíblia dos judeus. Mas Adão e Eva expulsos do paraíso por causa da maçã e da serpente, tenham dó. Mas o “fiat lux” da criação faz sentido, afinal, até hoje a melhor explicação que temos para o início (continuação?) de tudo é o Big Bang. Além disso, a bíblia católica omite o fato de Eva ser a segunda mulher de Adão, a primeira chamava-se Lilith e deixou do pai de todos nós porque era altiva e independente. Uma feminista, por assim dizer.

Há fatos ocultos nas passagens mais solenes da Bíblia cristã, na minha opinião. Um exemplo é a narração da entrega das Tábuas da Lei a Moisés, os 10 Mandamentos. Lê-se que Deus imprimiu a fogo cada um deles com voz trovejante. Parece que, no caminho, a primeira edição quebrou, segundo o livro sagrado, mas o seguro cobriu o prejuízo, também na minha opinião. Vai brigar com Deus, vai.

Estudioso que sou do comportamento humano, tenho certeza de que a voz trovejante Dele certamente era pior que o caminhão de som dos sindicatos dos professores ou dos municipários de Porto Alegre. Por isso, é provável que antes de receber o quarto mandamento, Adão tenha reclamado.

– Senhor, não precisa gritar desse jeito, não sou surdo!

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