INTER: Acabou a paz. E faz muito tempo | Por João Ricardo

INTER: Acabou a paz. E faz muito tempo | Por João Ricardo

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Na minha última coluna, tinha dito que o Inter ainda não tinha jogado mal neste Brasileiro. Bom, eles resolveram me dar nos dedos com um tiro de AR-15. Provavelmente pegaram emprestado em algum canto carioca. E nesse clima de armamento pesado, vou entrar num tema delicado.

O que eu acho que precisa ser discutido aqui é o buraco que fica mais embaixo. O buraco da trincheira que muito torcedor procura passar longe, e talvez seja esse o grande problema de boa parte dos colorados: querer ficar alijado à questão política.

 

Todo mundo sabe que os anos de glória vividos entre 2006 e 2010 foram fruto de uma pacificação entre os movimentos. Mas ganhar títulos demais dá poder, e tem aquele ditado: “quer conhecer um homem? Dê poder a ele”. Aí teve gente que cresceu o olho, e vocês sabem de quem eu tô falando.

 

A reforma do Beira-Rio foi o estopim de um confronto nos bastidores que dura até hoje e está longe de acabar. Felizmente, fomos salvos de uma gestão que queria fazer a obra por conta própria, o que provavelmente levaria o clube à falência.

Essa mesma cambada fez um esforço imenso de mídia no final de 2014 e aproveitou um momento em que o Inter só tinha ficado em terceiro no BR (o que era pouco pra uma torcida mal-acostumada) para se eleger. A torcida entrou na onda, contaminada pela falácia que tomava conta do pátio no dia do pleito: “o campeão voltou”. Bem, ele voltou e trouxe toda a turma junto. E a gente sabe no que deu. Tanto que hoje boa parte dos caciques deste grupo tá embrenhada com questões jurídicas, MP, enfim.

 

Mas porque resgatar tudo isso? Pra largar um papo reto bem deprê: aquela pacificação política vai demorar DÉCADAS pra acontecer de novo. Nas internas, a guerra tá longe de acabar. Por esse motivo e outros.

 

Além de ter uma parte grande de conselheiros envolvidos com esse grupo que enfrenta problemas relacionados aos dois últimos anos, hoje não existem mais coalizões fortes, em que um movimento confia no outro. O i9 pensa de um jeito. O Povo do Clube, de outro. O Inter Grande, diferente dos dois.

Ou seja, fragmentação é mato. Prova disso foi a última eleição com NOVE chapas para o conselho. E essa falta de confiança atinge especialmente quem tá no comando agora.


É consenso entre a coloradagem que o discurso de reconstrução já queimou a gordura que tinha. A direção atual teve o trabalho HERCÚLEO de se livrar de um grupo inteiro de perebas marcados pelo rebaixamento, e tem todos os méritos por terem cumprido essa tarefa. Mas isso não dá o direito de cometer os mesmos erros de outras tantas gestões que ensinaram o que não fazer, como não profissionalizar o futebol, o que talvez evitasse a avaliação errada que fizeram do Odair para este ano de retomada.

 

E pra piorar, estamos em semana de gre-NAL. Eles, embalados depois de meter 10 gols em 2 jogos. Nós, juntando os cacos. Soma-se a isso todo o histórico deste curto 2018 de eliminações e fiascos. Pior perspectiva.

 

Por todo esse retrospecto, não dá pra reclamar se a torcida entrar em pé de guerra: quem acabou com a paz há quase 10 anos foram os movimentos políticos do Inter.

1 Comment

  1. Cesar
    8 de Maio de 2018 at 12:05 Reply

    A torcida tá tão desolada que nem protestar vão!

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