AS MUITAS COPAS DE UMA COPA | Por João Ricardo

AS MUITAS COPAS DE UMA COPA | Por João Ricardo

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Escrevo este texto na tentativa de postergar o começo daquele mal que assola todos que possuem suas vidas guiadas pelos jogos da maior de todas as competições esportivas (chora, Jogos Olímpicos): a depressão pós-Copa. E nada melhor para isso do que relembrar algumas particularidades que são verdadeiras façanhas, por menor que sejam. Porque cada seleção, cada país, disputa uma Copa do Mundo particular, com seus sonhos de acordo com o tamanho da superação que pode ter.

Um bom exemplo para começar a ilustrar isso é aquele país cuja bandeira azul, branca e vermelha conquistou uma posição extrema entre as 32 seleções:

 

O PANAMÁ. (alguém aí pensou na França, né?)

 

O Panamá chegou na Copa pela primeira vez, e foi eliminando uma seleção bem mais tradicional (guardadas devidas proporções), os EUA. Aí deu o azar de pegar um grupo com duas seleções infinitamente mais fortes: Bélgica e Inglaterra.

Bom, qual seria a Copa do Mundo do Panamá?

Marcar um gol. De preferência, em uma destas favoritas. E eles conquistaram. O autor da façanha? O veterano Baloy, aquele mesmo.

 

Marrocos também teve sua própria Copa ao enfrentar de igual pra igual uma Espanha que compõe uma rivalidade histórica, mas fora das quatro linhas. E Marrocos conseguiu, com direito a gol de cabeça em cima do melhor zagueiro de bola aérea do mundo.

 

E a Coréia do Sul? Zebra de um grupo com México, Suécia e a então campeã Alemanha, conseguiu fazer os alemães sentirem o gostinho de uma humilhação parecido com os 7 a 1. A Alemanha nunca tinha ficado fora de uma fase de grupos na história das Copas. Coréia do Sul, campeã de sua própria Copa do Mundo.

 

Também tem a seleção peruana, de volta a um mundial depois de 36 anos. Num grupo com França, Dinamarca e Austrália, até tinham chances de passar de fase. Mas já eliminada, conseguiu contra a Austrália uma vitória histórica que resgatou uma autoestima perdida há décadas.

 

A própria Rússia pode-se dizer que caiu nas quartas com gostinho de taça. Nunca havia chegado tão longe e fez isso na frente da própria torcida, com direito a despachar os espanhóis nas oitavas.

 

Os inventores do futebol também voltaram a ter motivos pra comemorar: não chegavam a uma semifinal desde 1990, tiveram o artilheiro da Copa. Inglaterra: tá liberado sonhar com 2022.

 

A Bélgica é um capítulo a parte. Foi o Brasil de 82 desta Copa: a seleção que mais encantou e não levou. Se não ganhou a taça, recebeu o título de melhor time. O que faz justiça pra uma geração tão brilhante e que ainda tem uma Copa pela frente, ao menos.

 

Bom, a França ganhou a Copa. Mas podemos falar do Mbappé, o guri que destruiu os hermanos e ficou ao lado de Pelé como jogador com menos de 20 anos a marcar em uma final; e de Deschamps, que se igualou a Zagallo e Beckenbauer: campeão como jogador e treinador.

 

E agora vem, pra mim, a campeã da Copa mais difícil de todas: a Croácia, claro. Aquela que chegou onde ninguém imaginava, teve o craque da Copa e poderia, sim, ser a campeã também. O que esse time de Modric, Rakitic, Mandzukic e todos os outros Ic fez entrou pra história com um feito raras vezes igualado. E sendo sincero: acho mais difícil fazer o que eles fizeram do que um Brasil ganhar o hexa. Por isso, eles podem ter botado a medalha de segundo lugar no peito, mas o orgulho tem que ser de campeão.

 

E que venha o Qatar com muitas novas Copas pra gente. Afinal, como diria o mestre Vanucci, 2022 é logo ali.

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