VOCÊ PODE SER REI! | Por Daniel Mendes

VOCÊ PODE SER REI! | Por Daniel Mendes

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O que segue é um caso real acontecido na antiga Pérsia. O de um súdito que certa vez, visivelmente abatido, compareceu na presença do Rei.

Naquele dia a sua fisionomia denunciava que algo diferente estava acontecendo. Então o rei percebeu e quis logo saber por que estava tão sombria a sua face, sendo que ele não estava doente! Essa história é curiosa. Por que podemos estar na pele de um e de outro. Quantas vezes afinal, como o súdito triste, estamos num dia de muitas preocupações e abatimento. Como seria bom nesse dia, se ao menos uma pessoa da mesma forma como o Rei, olhasse na nossa direção e visse imediatamente na nossa cara que há algum tipo de problema que nos tira a paz.

Mas hoje não é muito popular essa ideia de demonstrar empatia. Como se tornou rara essa coisa de se colocar no lugar dos outros! Interpretar o súdito Neemias é a coisa mais natural do mundo. Basta ter um problema, uma dor, uma angústia, um grande medo. E basta não conseguir esconder os furacões que nos varrem por dentro. Mas interpretar o Rei Artaxerxes, exige maior senso de humanidade. É necessária uma espécie de talento que nem todos tem. Os “Neemias” estão por todos os lados. Choram. Lutam. Gritam. Não se entregam. Sentem os baques. Choram. Compram a vista e a prazo. Estão nas filas. Nos supermercados. Na mesa ao lado. Calam. Ficam sérios. Tiram uma “selfie”. Cantam. Dançam. Dão risada. Choram. Comem de tudo sem culpa. Vivem de dieta. Por que essa é a arte do cotidiano. É quase o que todo artista de rua faz todo tempo. A arte de sentir a emoção na pele e não conseguir esconder. Por outro lado, há absoluta escassez de “Artaxerxes”.

A proporção lembra o tamanho dos papéis. Na vida, assim como na corte, sempre foi o caso de existir um rei protagonista para uma multidão de súditos figurantes. Mas só um Rei. Um só para uma população agitada de súditos de carne e osso com seus problemas. Milhares. Milhões. Então, há duas possibilidades. Podemos ser a pessoa com seus problemas que a maioria não se interessa e nem dá a mínima. Um anônimo cercado de outros anônimos. Ou podemos ser o Rei da história. Aquele que faz a diferença. Que é capaz de se compadecer. Aquele que percebe a variação de humor no amigo e que se dispõe a ser uma fonte de apoio. Só que, diferente do Rei, a maioria das pessoas do nosso tempo foge dos problemas. Quando alguém não está bem, e elas notam, até saem de perto. Isso é ainda mais triste. Colocam frieza no lugar do calor. Apatia em vez de iniciativa. Falta de olhar para o outro com respeito e perguntar o que está acontecendo. Uma pergunta do tipo “como você está?” Para então ouvir com paciência a resposta. Ou mesmo sem uma resposta notar as reações da pessoa. O canto de seus olhos. Suas mãos. A sua linguagem corporal.

Somos iguais e precisamos aprender a nos interessar mais! Ouvir mais! Não nos apressarmos em julgar. Não nos afastarmos de uma pessoa deprimida como se ela tivesse doença contagiosa. A doença dela é emocional. Problema de amigo não é contagioso. O que pode contagiar e desanimar quem já se esforça muito para conviver com uma dificuldade, é a indiferença. A indiferença e a frieza é que é a grande epidemia do nosso tempo. Por que mata sem matar. Por que segrega, faz distinção; afasta e isola gente. Mas se o problema do outro se tornar um pouquinho do nosso problema, a ponto de sermos bons ouvintes, bons confidentes, nós vamos poder ser uma espécie de Rei com iniciativa. Um Rei no que se refere à nobreza pura, a grandeza de ser uma pessoa que se importa e que faz o que está no poder da sua mão para diminuir um pouco dos pesos que os outros carregam.

Nunca devemos desprezar o valor de nosso abraço e desta forma, os nossos próprios problemas diminuirão de tamanho e nos sentiremos úteis. Pelo menos de vez em quando poderemos nos comportar como um daqueles Reis amados pela população, não pela imposição de mais impostos e obrigações, mas pela grandeza de nosso coração.

Sim!

Nós podemos agir como verdadeiros Reis!

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