ENTRE FAKES E MEMES! | Por Daniel Mendes

ENTRE FAKES E MEMES! | Por Daniel Mendes

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Tenho observado com espanto o acirrado debate político que as pessoas têm promovido nas redes sociais.

Opiniões fortes de toda espécie se propagando por improváveis trincheiras digitais. Gente espalhando chumbo grosso para todo lado. Um universo amplo em que as pessoas dão vazão aos seus próprios conceitos na esteira do “doa a quem a doer”. Alarmismo de uns e pura paranoia de outros invadindo dispositivos eletrônicos alheios pelas portas do Facebook e do Whatsapp; só para citar os mais populares. É mesmo muita polarização avançando entre “fakes” maliciosos e memes que exploram a ridicularização do lado oposto. Quase uma guerra de “compartilhar” coisas que estão de acordo com o idealismo de cada um. Uma estranha batalha de palavras vazias em que o roto não se vê roto, mas expõe o adversário esfarrapado.

Para agravar e alimentar as mentes férteis, nas redes de TV os debates patéticos só servem para mostrar gente despreparada falando como se tivesse o antídoto para toda espécie de problemas de uma nação. E eu não estou falando dos que só tem um ou menos por cento nas intenções de voto. Eu estou falando de todos. Todos falando superficialmente de temas como educação, saúde, segurança e oportunidades de trabalho. Todos pedindo sem a menor cerimônia o seu e o meu voto e se apresentando ao mundo como “verdadeiros deuses” que podem transformar o caos em paraíso. Também nas entrevistas os jornalistas medalhões fazem perguntas que não são perguntas, mas verdadeiras teses, mas sem deixar o entrevistado responder. Quase uma queda de braço. Eles, os âncoras espertos que sabem de tudo! Quanta empáfia! E do outro lado, candidatos encurralados nas cordas sem chance de formular uma resposta. Como se o objetivo do jornalista fosse dizer “eu sei tudo, mas você? Você quem é mesmo?”

Vejo esses perguntadores arrogantes e me pergunto se não seriam eles os salvadores da pátria! Isso não é jornalismo de verdade! Trata-se de orgulho vão! Vejo com tristeza esse debate em que as verdadeiras preocupações são esquecidas para se dar espaço para a discussão de questões menores. A questão não é e nunca vai ser se o melhor é um governo de direita, de centro ou de esquerda. A questão é que qualquer desses modelos é falido. Quando a direita mandou havia muita infelicidade e injustiça. Quando a esquerda comandou havia muita injustiça e infelicidade. O fato além de qualquer discussão é que os modelos de governo humanos são falíveis. E isso se dá por que os seres humanos são falíveis. Assim, sem qualquer demagogia, a história e os fatos estão aí para serem observados e analisados.

E, infelizmente o que eles revelam, é que o homem não tem solução para os problemas mais graves criados por ele mesmo. Do ponto de vista dos limitados esforços e sabedoria humana, a corrupção não tem cura. O aquecimento global e iminente falta de água não tem cura. A ganância de uns continuará matando de fome a barriga de bilhões. O avanço das tecnologias continuará maravilhando engenheiros, mas tirando postos de trabalho dos nossos filhos e netos. A criminalidade e as drogas continuarão em franca expansão até na porta das escolas. O terrorismo e o ódio religioso continuarão amedrontando civis. Homens e mulheres não têm a menor ideia de como resolver esses problemas, através de seus sistemas políticos frágeis, em que projetos e leis precisam de negociatas para ser aprovados.

E as pessoas de bem, mas “inocentes”, continuarão perdendo seu tempo nas redes sociais acreditando em coelho de páscoa e papai Noel.

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