O RETORNO DE MARY POPPINS – A TRILHA SONORA

O RETORNO DE MARY POPPINS – A TRILHA SONORA

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Na semana passada, eu e minha filha fomos ao cinema. Em tempos de férias e festas de fim de ano essa é uma grande pedida. Um tempo atrás assistimos juntos na TV e ela amou a versão original de Mary Poppins. No distante ano de 1964, “Mary Poppins” foi um estrondoso sucesso de bilheteria dos estúdios Disney. A partitura original é considerada até hoje uma das melhores. E o filme está na lista dos maiores musicais americanos de todos os tempos.

Mais recentemente, depois de mais de cinquenta anos, a detentora dos direitos, lançou o projeto de revitalização da velha história já consagrada, produzindo o novo musical “O Retorno de Mary Poppins.” Eu e os amantes do cinema e da boa música pensamos no grande desafio. Quem seria ousado o bastante para escrever as canções para o novo filme, quando a partitura original dos irmãos Sherman é apontada como um clássico e como uma das melhores pontuações originais de todos os tempos para o cinema?

No atual “O Retorno de Mary Poppins”, nós somos levados de volta à casa da família Banks, agora sob a imaginação do letrista Scott Wittman e os acordes do compositor Marc Shaiman. Se por um lado os velhos irmãos Sherman eram da realeza da Disney, a dupla Shaiman e Wittman não fica muito atrás. Até hoje eles eram mais conhecidos por escrever a versão para o teatro de “Charlie e a Fábrica de Chocolate, em 2013.” Para esse filme as músicas são novas, embora aqui e ali os orquestradores façam claras referências às canções do primeiro filme.

Quando eles discutiram o novo projeto com o diretor Rob Marshall, a primeira pergunta era como as músicas deveriam soar. O diretor de início deixou claro que não queria que Mary Poppins cantasse algo como “Let It Go”, de Frozen. E os compositores concordaram que a música teria de recuperar a atmosfera e a magia do antigo clássico, e parece que conseguiram isso com sucesso. O fato de ter sido ambientado na grande depressão dos anos 30 facilitou as coisas para a nova dupla, visto que Shaiman e Wittman já eram fãs de canções populares inglesas daquela época difícil.

Então quando “O Retorno de Mary Poppins” começa, a música de abertura “Lovely London Sky” cantada por Jack, o ator Lin-Manuel Miranda, já descreve todo esse clima de tempos de crise. Então dá para afirmar, sem qualquer hesitação, que o novo filme tem personalidade, mas “rima” totalmente com o filme anterior de 1964. As definições musicais são fluidas.

Um fato curioso é que o ator e também escritor, Lin-Manuel Miranda já havia surpreendido o mundo do teatro contando a história de Alexander Hamilton em parte através da música ao estilo rap. E esse filme dá a ele uma música que flerta suavemente com o mesmo gênero. Pois antes de haver rap, havia coisas chamadas de canções que os vitorianos conheciam e que se sobrepõem.

Lá na década de 60 no primeiro filme, os grandes sucessos da partitura, como “Feed the Birds” e “A Spoonful of Sugar”, foram tocados incansavelmente nas emissoras de rádio depois que o filme foi lançado; uma das razões pelas quais as pessoas de meia idade conhecem as músicas tão bem até hoje.

Mas na era do streaming é difícil para as músicas de palco e cinema se tornarem sucessos nas paradas. Ainda assim os autores escreveram para os personagens já que são escritores natos de teatro. Escrevem para o coração. Então, quando deram a Lin um número com um toque de rap, é porque sabiam que o público ia gostar de ouvi-lo cantar com modernidade, mas sem perder a essência de seu personagem Jack, o acendedor de lâmpadas.

Como parceiros, Shaiman e Wittman não se encaixam bem no padrão da maioria das duplas de composição para palco e tela. Não têm um especificamente que escreve a música ao passo que o outro faz todas as letras. Ao serem perguntados, eles explicaram que em seu trabalho simplesmente se sentam na mesma sala e trabalham juntos ao mesmo tempo, pois para eles não faz muito sentido se preocupar com o que vem primeiro, se as palavras ou a música, já que eles fazem letra e música ao mesmo tempo.

Marc Shaiman disse que costumava escrever quase tudo ao piano, mas que nos últimos anos, ele e seu parceiro Wittman, começaram a escrever uma letra básica antes de tentar colocar uma melodia. O processo de criação deles envolve escrever frases soltas que depois mais tarde são testadas no piano. Em seguida eles elegem o que mais chama a atenção e parece ser uma boa melodia. Então nasce uma música fictícia, mesmo que a letra seja boba e talvez até grosseira. Então eles se afastam de novo do piano e juntos reescrevem a letra linha por linha, sílaba por sílaba, rima por rima. Para ambos o que tem que vir primeiro é a ideia. Caso contrário, não há música.

O resultado final é uma trilha cheia de personalidade própria e inconfundível que você irá gostar. “O Retorno de Mary Poppins”, estrelado por Emily Blunt e Lin-Manuel Miranda, Meryl Streep, Colin Firth, Emily Mortimer, Angela Lansbury, Dick Van Dyke, Ben Whishaw. Não trata de um simples remake e sim um novo filme para ver, sentir vontade de dançar e cantar e depois não esquecer!

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