O ataque das crianças da chave | Por Luciano Medina Martins

O ataque das crianças da chave | Por Luciano Medina Martins

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Rotina sempre parecida. Passar fome pelas primeiras duas horas de aula, se acotovelar entre os colegas, como numa guerra campal, para comprar um cachorro quente, escutar a professora reclamar dos homens e do machismo, ouvir as meninas fazerem piada da falta de músculos e roupas sem marcas. Pegar o tio da van, com alunos mais novos que gritam o caminho inteiro. Chegar em casa e fazer um cup of noodles. Depois vídeo game a tarde toda, batalhas sem fim. Sonhava em poder colocar as mãos num rifle de verdade. Começaria baleando aquela professora que só dá nota boa para as meninas, depois o tio da van e todos aqueles fedelhos gordos e sarcásticos que cuspiam e jogavam resto de bolacha salivada uns nos outros.

Parece terrível essa história? O que temos em comum com osEUA é o fenômeno da criança da chave, the lachkey child. Sem atenção, sem afeto,sem nenhum apego pela vida dela mesma ou dos outros. O fenômeno que mais crescedesde a segunda guerra mundial é justamente o abandono de crianças em lares declasse média e classe média alta. Pais cada vez mais distantes e indiferentes.

Os estudos sobre o suicídio são fundadores da sociologia.Emile Durkheim em O Suicídio (1897) identificava o fato básico, o ser humano ésocial, quando se isola da sociedade sua vida perde sentido e passa a ser umsuicida. Em uma sociedade que não valoriza o afeto, o respeito mútuo, que focaexcessivamente no consumismo e na aquisição de bens descartáveis é que leva afenômenos como os de Columby ou de Suzano.O acesso a armas, martelos, facas, fogos deartifício, anzóis, correntes de aço, carros ou outros tipos de artefatos quepodem ser usados para matar não é o que determina o fato de cometerassassinatos ou suicídio. Claro que uma fuzil é mais letal que uma foice ou um martelo.Mas a origem do ato violento não está neles e sim na falta de afeto, deconversa, de respeito mútuo, de tratar com igual atenção a todos, mesmo aquelesque não votaram no candidato de sua preferência, que não usam o tênis que vocêmais gosta, que não jogam o esporte que você curte, que não escutam a músicaque lhe faz dançar.

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Sou apresentador de TV, jornalista diplomado pela UFRGS, tenho especialização em branding pela PUCRS quando pesquisei sobre linguagem política na mídia social. Fiz cursos nos EUA, Reino Unido e Alemanha sobre políticas públicas. Falo fluentemente inglês. Apresento com regularidade o programa de variedades Bibo Nunes Show no canal 20 da NET. Também produzo este programa e faço comentários de TV há 6 anos. Sou redator e articulista. Tenho trânsito junto aos parlamentares do RS, diplomatas, entidades de classe, federações e confederações. Faz 15 anos que trabalho realizando assessoria a parlamentares, já fui funcionário da Câmara Municipal e do Congresso Nacional com Onyx Lorenzoni, atualmente sou assessor parlamentar na Assembleia Legislativa do RS.Para mais detalhes a meu respeito do meu trabalho acesse meu perfil no LinkedIn:https://www.linkedin.com/in/luciano-medina-martins-profile/

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