USUFRUTO E COMPARTILHAMENTO

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Vivemos dias em que as pessoas dão muito pouco de si, enquanto esperam muito dos outros. Quase como se elas mesmas não tivessem obrigações, apenas os outros. Como se elas não precisassem fazer a sua parte e tudo tivesse que cair dos céus aos seus pés. Como se tudo ao redor tivesse que girar em torno delas.

Pedem favores insistentemente como se os outros tivessem que dar a elas o que elas precisam, enquanto elas mesmas não estão dispostas a correr atrás e nem a mover um dedo. Pedem e pedem na cara dura. Pedem até o que não precisam. Vivem para sugar e parasitar os outros. E tem os que são mestres em pedir sem dar a impressão que pedem. Os insinuantes e bajuladores que acham que podem tudo em meio ao constrangimento que causam.

É a selva do querer levar vantagem em tudo passando os outros para trás. É o absurdo jogo de xadrez em que num primeiro movimento se faz algo de bom por que lá na frente o outro vai ser forçado a retribuir com um presente maior. É o “toma lá, dá cá!” de só se fazer alguma coisa boa para depois pedir algo em troca. Na verdade uma troca de favores sem escrúpulos e sem ética que eles acham que se justifica.

É a selva da humanidade desumana viciada em usufruto e que desconhece o poder e o valor do compartilhamento. É uma espécie de calculismo e frieza que vai isolando as pessoas em universos particulares frívolos. Por que sem compartilhamento não há relacionamentos saudáveis. Sem “a felicidade maior do dar do que em receber” não há brilho nos olhos e nem calor de verdade no coração. E o que sobra é cara bonita por fora, mas um profundo vazio no lado de dentro. Pessoas próximas e ao mesmo tempo distantes; sem objetivos e afinidades.

Mas ainda assim preferem acumular bens na mesma proporção que frustrações. Vão colecionando conquistas enganadoras e se afastando do que é realmente mais importante. Dormem sozinhos. Andam sozinhos, ao passo que contam “likes”. Socializam sozinhos porque escolhem o tipo de gente que se diz amigo mas que quando está junto cuida mais do próprio celular do que do amigo.

Mais do que apenas usufruir é preciso aprender a compartilhar!

As risadas então acontecem mas são forçadas. As selfies e os filtros vão mostrando realidades que não existem. E, em resultado, o ser humano vai se tornando a cada dia mais triste, patético, solitário, desinteressante e cheio de tudo que existe mas que é artificial. E as conversas são a típica expressão de quem fala demais por que não tem nada a dizer. E no fim das contas tudo se resume ao usufruto total com compartilhamento zero.

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