AS MELHORES MULHERES E OS MELHORES HOMENS

AS MELHORES MULHERES E OS MELHORES HOMENS

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As melhores mulheres já estão casadas ou cansadas; ou sonham acordadas com príncipes que não existem. Por que é muito complicado nadar num mar tão cheio de homens toscos, que se atrapalham com as palavras e são incapazes de encantar. Mas é bem feito. Porque os melhores homens também já estão casados ou cansados; ou andam por aí idiotas sonhando com princesas que até existem mas que não lhe dão a mínima e nem são para o seu bico.

As melhores mulheres nem sabem que são as melhores. Estão aonde quem devia ver não vê ou em lugares que quem devia estar não está. Decolam e prendem a respiração enquanto na pista ao lado quem elas procuram aterrissam aliviados como loucos voltando de voos quase sem volta.

É curioso e meio absurdo criarem expectativas e uma lista destas com quadradinhos para ticar. Expectativas elevadas demais e que nunca serão satisfeitas. Por que sempre alguns quadradinhos vão ficar em branco sem ser ticados. Ou por que há idade de mais ou de menos. Ou por que há quilos de mais ou de menos. Ou porque as pessoas são diferentes. E os homens e as mulheres disponíveis são diferentes. Ou ainda porque os olhos que deviam olhar fundo nunca ultrapassam a superficialidade.

Mas todos deveriam saber que não existe essa coisa de duas pessoas ideais que se encontram por acaso. O par ideal que atende todos os requisitos daquela mulher, ao mesmo tempo em que ele também vê nela o seu par ideal. Não existe essa loteria romântica mais difícil do que ganhar milhões num sorteio.

O que existe e é de verdade é a aproximação. Lenta ou rápida. Serena ou avassaladora. É nem se dar conta e aos poucos ir descortinando o que outro é. Uma coisa legal aqui, outra interessante lá, ver no outro uns defeitos normais que é para nunca esquecer que também se tem defeito.

É um dia se dar conta: “como é que eu não vi antes?”

É uma atitude estranha e uma risada espontânea. É descobrir similaridades e gostos iguais de uma forma inesperada. É se encontrar no corredor do cinema no horário daquele mesmo tipo de filme que só nesta hora se fica sabendo que o outro também gosta.

É ir aos poucos derrubando as incapacitantes paredes da timidez e de falta de coragem. É ir aquecendo o frio que dá na barriga e desatando os nós que se tem na garganta. E tomar um gole de destilado para umedecer a boca que não pode emudecer. É confiar no próprio taco. É uma frase, um jeito de dizer alguma coisa inesperada que faz o outro pensar e olhar com outros olhos. É de repente falar junto as mesmas palavras e depois dar muita risada.

É ver no outro coisas que se gosta e não se gosta. Por que é assim muito simples. Vacilamos, erramos, nos estrepamos, decepcionamos e os outros repetem erros parecidos, só que em momentos diferentes. Mas de uma hora para outra percebemos que as coisas boas valem muito a pena e as coisas ruins são tão pequenas!

Conhecer alguém legal e aos poucos ver que ele ou ela é muito mais do que se imaginava. É superar preconceitos ou alguma espécie de cegueira que impede de ver quem está perto do jeito incrível que ele é. Quando acontece depois de um tempo, perceber que se começa a olhar para o outro de um jeito que só um coração aberto consegue enxergar. É sentir do nada aquela vontade de encontrar e ficar conversando horas, sem precisar falar nada do tipo “será que vai chover”; por que há por dentro mais do que uma chuva. Há turbilhão e ventania; agitação e milhares de possibilidades incríveis e no quarto e no carro lembramos músicas que começamos a cantarolar. Quando vamos para frente do espelho e reparamos como é o nosso rosto de verdade.

Acontece assim. É mais do que mágica. Não tem nada a ver com uma espécie de sorteio em que a mulher com o bilhete número 380.437 sai de casa e, em cinco minutos, é contemplada com o cara do ticket número 435.201. Quando os dois se esbarram e tudo ao redor fica em câmera lenta enquanto eles cruzam olhares e toca ao fundo um clássico da música romântica. Não é assim e nem nunca vai ser. O mundo não é tão pequeno e previsível como o final feliz de uma comédia “Hollywoodiana”. Por que tem milhões, bilhões de mulheres e homens lá fora. Todas e todos com coisas boas e ruins. Por que nós mesmos somos bons numas coisas e péssimos em outras.

Este é o mundo real das pessoas de verdade. E é preciso se sentir bem-vindo no mundo das possibilidades reais e não no das probabilidades mínimas.

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Daniel Mendes é publicitário. Especialista em designer gráfico. Apreciador de cinema e de boa literatura. Observador cuidadoso do cotidiano. Atento às novas formas de comunicação e interação social. Cronista dos temas leves de seu tempo. Mas também explorador profundo das situações que provocam indignação e que nos induzem a fazer profunda reflexão.

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