O CASTELO DE VIDRO

O CASTELO DE VIDRO

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Terminei ontem a leitura do livro de memórias, “O Castelo de Vidro” da jornalista norte-americana Jeannette Walls. Extraordinário em todos os sentidos! Cheio de passagens curiosas, tristes, comoventes e até hilariantes.

Agora posso dizer que a história da Jeannette e seus irmãos ( Brian, Lori e Maurren ) foi uma das que mais me emocionaram em toda a minha vida. Essas crianças passaram tanta dificuldade, tantas privações e até miséria, que ler sobre suas experiências, me fez voltar à minha própria infância difícil, logo depois que meus pais se separaram e por vezes não havia muita coisa para comer também em nossa casa.

Então ao ler “O Castelo de Vidro” eu convivi nas últimas semanas com a família Walls. Fascinante em todos os sentidos. O pai cheio de idéias mirabolantes. Daquele tipo de pai que sabe de tudo um pouco, ou pelo menos acha que sabe. Um pai que é amoroso à sua maneira, mas que também dá vexame quando abusa do álcool. Que corre atrás de enriquecimento e que é capaz de assaltar o cofrinho de moedas dos filhos para comprar cigarro e bebida barata. Um pai que vive fazendo bicos, em alto estilo, dirigindo carros caindo aos pedaços, desenhando as plantas do castelo de vidro e, ocasionalmente, visitando as moças da lanterna verde e dando estrelas de presente para os filhos. Um pai que provavelmente foi abusado pela própria mãe.

A mãe e suas telas e tintas, sua máquina de escrever. Uma mulher que imaginava uma carreira sólida no mundo das artes. Capaz de comer uma barra enorme de chocolate escondida debaixo das cobertas enquanto a barriga dos filhos roncava de fome.

Este é o livro da garotinha que se queimou aquecendo salsichas aos três anos. A “cabrita montanhesa”; a favorita do pai. Que na infância inventou um aparelho para tentar corrigir o problema dos seus dentes projetados para frente e para fora. Que ao trabalhar numa loja roubou um relógio por um dia, mas que no dia seguinte devolveu. Que nunca levava lanche para a escola e que, para não passar vergonha, se escondia no banheiro durante o recreio e ficava em pé em cima do vaso, para que as colegas não vissem seus pés. Que ficava escondida também para vasculhar a lixeira e encontrar sobras de sanduíche e maçãs para atenuar a fome. Que quase foi abusada por um adversário de pôquer que perdeu dinheiro para o seu pai e também por seu tio.

Este é um livro de um menino que tinha que colocar um bote inflável em cima da cama para se proteger das goteiras. De uma menina que só descobriu que não enxergava bem muitos anos depois e que brigou com a avó para defender o seu irmão. Um livro de uma irmã mais nova que vivia um pouquinho melhor por que passava a maior parte do tempo com os vizinhos.

Este é um livro de crianças que abriam latas enferrujadas de comida para tentar arranjar algum alimento. Que comiam restos de comida jogados nas lixeiras da cidade. Que por vezes viam uma peça de presunto apodrecendo e ainda assim tinham de comer ou que por dias a fio tinham de comer o mesmo tipo de alimento.

Um livro de um casal que foi acabar morando na rua e que ainda com todas as dificuldades teve a alegria de proporcionar uma boa educação aos filhos que, de uma forma ou outra, tomaram um rumo na vida.

Agora é com vocês. Leiam o “Castelo de Vidro”. É extraordinário e eu recomendo como uma leitura excelente! Atentem lá pela página trezentos e cinco a descrição sobre como foi a despedida da Lori quando ela foi para Nova Iorque. E depois a relação de cumplicidade e de lágrimas entre Jeannette e Brian quando também ela foi para Nova Iorque. É um turbilhão de sentimentos.

Não tenham medo de relembrar a sua infância e nem de verter lágrimas ao ler este livro!

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