Com o recente Dia Mundial da Fotografia, celebrado dia 19 de agosto, a ABAV-RS aproveita para destacar como as imagens influenciam a escolha de destinos e podem se transformar em um serviço de diferenciação e personalização no setor
De uma paisagem que desperta o desejo de conhecer um destino a um registro profissional feito durante a viagem, a fotografia ocupa um papel cada vez mais importante na relação dos turistas com suas experiências. Para a Associação Brasileira de Agências de Viagens do Rio Grande do Sul (ABAV-RS) , as imagens não apenas influenciam decisões de viagem — especialmente a partir das redes sociais — como também ajudam a transformar momentos vividos em memórias que permanecem para além da experiência.
E nesse cenário, a contratação de fotógrafos locais ou profissionais especializados pode representar ainda uma oportunidade para as agências ampliarem a oferta de seus roteiros, agregando serviços e experiências que tornam a viagem mais personalizada e diferenciada.
Para Daniela del Cueto, vice-presidente de Relações Institucionais da ABAV-RS e empresária na Metamorfose Turismo , as imagens podem ser decisivas no processo de escolha de uma viagem. “Desperta aquela vontade de experimentar outra cultura, o desejo de desconectar da rotina, a curiosidade por lugares e pessoas novas, e também aquele impulso de ver com os próprios olhos o que já admiramos através do Instagram ou de qualquer outra tela. Uma imagem sempre provoca alguma reação. Algumas conquistam de verdade e fazem a pessoa pensar ‘eu preciso ir’”, afirma.
Quando o fotógrafo passa a fazer parte da viagem
Com a evolução das câmeras dos smartphones, fotografar durante uma viagem se tornou acessível para praticamente qualquer pessoa. Ainda assim, Daniela percebe uma procura crescente por fotógrafos profissionais em passeios e roteiros turísticos.
A razão vai além da qualidade técnica das imagens. Quando um integrante do grupo assume o papel de fotógrafo, ele pode acabar passando boa parte da viagem atrás da câmera. “Muitas vezes, essa pessoa nem aparece nas próprias fotos, porque está sempre fotografando os outros ou a paisagem”, observa a profissional.
A vivência pessoal também ajudou a mudar sua percepção sobre o serviço. “Depois de duas viagens à Disney com meu filho, aos 3 e 4 anos, estávamos olhando o álbum juntos e ele me perguntou por que eu não tinha ido na primeira viagem. Eu estava lá inteira, o tempo todo, só que atrás da câmera, em cada foto. Como ele era muito pequeno, não lembrava de mim ali. Aquilo foi um alerta importante. De lá pra cá, contratar fotografia virou quase uma regra nas nossas viagens para Disney, e é um dos primeiros destinos onde incentivo meus clientes a fazerem o mesmo”, relata.
A partir dessa experiência, ela passou a trabalhar com fotógrafos parceiros em diferentes destinos internacionais, incluindo profissionais que podem acompanhar o viajante durante todo o roteiro. “Viajar é criar memória, e a fotografia também é a forma de traduzir essa memória para quem não estava lá”, afirma.
Casais, famílias e viajantes solo
A procura por fotógrafos durante viagens aparece especialmente em viagens de casais, famílias com crianças e grupos multigeracionais. Nesses casos, os registros podem ganhar ainda mais significado por documentarem momentos que serão revisitados no futuro e compartilhados com novas gerações.
Mas a demanda está conquistando um público mais amplo, como viajantes solo, para quem a fotografia profissional resolve uma dificuldade bastante prática: aparecer nas próprias imagens sem depender de pedir ajuda a desconhecidos.
A profissional Caroline Cerutti , que realiza fotografias de viajantes há cerca de 9 anos, especialmente em destinos internacionais, concorda que os perfis de viajantes querendo ser fotografados está mais diversificado. Todos os anos ela realiza uma temporada de fotografias na Europa, e percebe que a procura cresceu bastante ao longo do tempo.
“Tenho muitos registros de famílias que viajam juntas. Os casais também me procuram bastante. Fotografo muitos casais em lua de mel, mas também pessoas que simplesmente escolheram se aventurar pelo mundo juntas. São histórias diferentes, mas existe algo em comum: a vontade de ter alguém olhando de fora e contando, através das imagens, aquilo que eles estão vivendo”, completa Caroline.
Um mercado que acompanha as transformações do turismo
Em Londres, o fotógrafo profissional Wender Junior Vieira atua há mais de seis anos e também percebe uma procura diversificada pelo serviço. Entre seus clientes estão casais, famílias e pessoas viajando sozinhas, além de turistas que celebram ocasiões especiais.
“Fotografo muitos casais, famílias e também pessoas viajando sozinhas. Tenho clientes que estão fazendo a primeira viagem internacional, casais em lua de mel, pedidos de casamento, aniversários e famílias que querem simplesmente guardar uma lembrança especial da passagem por Londres”, conta.
Para Vieira, a transformação no comportamento dos turistas está relacionada, entre outros fatores, à influência das redes sociais. “Hoje as pessoas não querem apenas conhecer um lugar, elas também querem guardar e compartilhar aquela experiência de uma forma mais bonita e especial.”
Esse movimento também ampliou o mercado para fotógrafos especializados em turismo. “Quando comecei, era um mercado bem menor e hoje encontramos muitos profissionais oferecendo esse tipo de experiência em praticamente todos os principais destinos turísticos”, lembra.
Mais do que um ensaio, o fotógrafo acredita que o serviço passou a integrar a própria experiência de viagem. “Além de conhecerem alguns dos principais pontos de Londres, eles voltam para casa com um registro profissional daquele momento, sem depender somente de selfies ou de pedir fotos para outras pessoas”, afirma.
A valorização da memória também aparece como um fator importante. Muitas viagens são planejadas durante meses ou até anos e podem representar uma experiência que não será repetida tão cedo.
Para as agências de viagens, a expansão desse mercado pode representar uma oportunidade de diversificação dos serviços oferecidos aos clientes. Ao estabelecer parcerias com fotógrafos profissionais nos destinos, por exemplo, a empresa pode incorporar sessões fotográficas ou acompanhamento profissional ao roteiro, identificando quando esse serviço faz sentido para o perfil do viajante e proporcionando uma experiência ainda mais memorável.
O olhar de quem conhece o destino
A contratação de um fotógrafo local pode acrescentar outra camada à experiência. Além do domínio técnico da fotografia, esses profissionais conhecem o ritmo da cidade, os melhores horários e ângulos, as regras de determinados espaços, a logística dos deslocamentos e, muitas vezes, histórias e particularidades dos cenários fotografados.
Esse conhecimento pode fazer com que o registro ultrapasse os cartões-postais mais conhecidos e revele detalhes que dificilmente seriam percebidos por quem visita o destino pela primeira vez.
Ao mesmo tempo, a fotografia precisa permanecer como parte da viagem e não como seu objetivo principal. “A fotografia pode ser um recorte lindo de um momento, mas quando ela se torna o objetivo principal da viagem, a viagem em si perde o propósito”, pondera Daniela.
Nesse contexto, um movimento que vai na contramão da influência das redes sociais é observado por agentes de viagens e fotógrafos, apontando para uma mudança na maneira como os turistas se relacionam com seus registros. Existe menos preocupação em simplesmente produzir conteúdo para as redes sociais e mais interesse em preservar experiências que tenham significado pessoal. Como resume Daniela, “postar menos e viver mais é hoje a nova forma de viajar”.





