Apocalyptica, seus violoncelos, metal e uma conexão surpreendente com o público

Cobertura de show e fotos por Milene Denise Magarinos – jornalista

Na terça-feira, 13 de outubro, o Opinião, em Porto Alegre, recebeu o Apocalyptica para um espetáculo de duas horas e meia que passou tão rápido que mal deu para perceber o tempo. Uma apresentação que uniu virtuosismo, paixão pela música, humildade e uma relação muito especial com o público.

O primeiro contato com a banda aconteceu por meio de uma versão de Master of Puppets, do Metallica. Um diretor de teatro utilizava a música para apresentar dois personagens de bufão em uma de suas obras. A sonoridade chamou tanto a atenção que despertou imediatamente a curiosidade sobre aqueles músicos capazes de transformar um clássico do metal em algo tão singular.

A investigação revelou uma banda finlandesa que começou sua trajetória em 1993, com três violoncelistas de formação clássica que se conheceram ainda estudantes da Academia Sibelius. A partir de releituras instrumentais de músicas do Metallica, o grupo criou uma identidade própria: o cello metal, uma combinação inusitada de violoncelos e a intensidade do rock pesado.

Atualmente, a formação reúne Eicca Toppinen, fundador da banda; Paavo Lötjönen, também integrante fundador; Perttu Kivilaakso, que entrou em 1999, substituindo Antero Manninen; e o baterista Mikko Sirén, que passou a integrar oficialmente o grupo em 2005.

O show começou pontualmente às 21h e, ao longo de duas horas e meia, demonstrou que a excelência musical não precisa estar acompanhada de distanciamento ou de uma postura inacessível. Pelo contrário: os integrantes se mostraram apaixonados pelo que fazem e extremamente próximos da plateia.

A movimentação no palco chamou a atenção. Os músicos trocavam de posição entre si, em uma dinâmica que parecia revelar tanto a sintonia entre eles quanto o desejo de manter uma conexão próxima com o público, permitindo que diferentes setores da plateia acompanhassem melhor a apresentação.

Também ficou evidente o conforto entre os integrantes da formação atual. Em um dos momentos de interação, Perttu contou que conheceu Paavo quando tinha apenas dez anos de idade e que, mais tarde, a vida acabou reunindo os dois novamente por meio da arte. Eicca, por sua vez, descreveu o baterista Mikko como o homem mais doce que conhece, apesar de sua aparência aparentemente durona.

A comunicação com a plateia foi marcada pela gentileza e pelo bom humor. Os músicos compartilharam histórias, comentaram sobre suas escolhas musicais e falaram sobre o álbum Plays Metallica Vol. 2, trabalho que dá nome à turnê. Também explicaram a escolha de incluir músicas do Nirvana no repertório, destacando a sensação de liberdade evocada por sua obra.

Em nenhum momento se estabeleceu uma barreira rígida entre artistas e fãs. A plateia foi convidada a participar da experiência, tornando o espetáculo ainda mais envolvente.

Entre os pontos altos da noite esteve, naturalmente, Master of Puppets, uma das músicas mais ovacionadas. Também marcaram a apresentação The Unforgiven e Nothing Else Matters, executadas apenas com violoncelos. A interpretação desta última ganhou uma dimensão quase sublime e meditativa, mostrando como a força de uma composição pode se revelar mesmo quando despida dos elementos tradicionais do metal.

Foi um espetáculo maravilhoso do início ao fim, daqueles que reafirmam o poder da música de provocar emoções, surpreender e criar memórias que permanecem muito depois do último acorde.

Esta foi a terceira passagem do Apocalyptica por Porto Alegre, e os integrantes prometeram voltar uma quarta vez. Para quem acompanhava a trajetória da banda à distância, a apresentação representou a realização de um sonho: ouvir ao vivo músicos que transformaram um instrumento clássico em protagonista de uma experiência sonora tão intensa.

O Opinião, mais uma vez, mostrou a força de um espaço que acolhe a diversidade musical e proporciona um ambiente de respeito, cultura e amor pelo rock. Há algo especial em acompanhar um espetáculo assim em um lugar onde a energia da plateia e a entrega dos artistas se encontram de maneira tão natural.

Apocalyptica segue pelo Brasil

Para quem ficou com vontade de conferir essa experiência ao vivo, a banda ainda tem três apresentações previstas no Brasil:

  • 16 de outubro — São Paulo (SP) / 17 de outubro — Brasília (DF) / 18 de outubro — Belo Horizonte (MG)

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