Encontros também debateram atividades sobre Fórum da Agricultura e da Causa Animal
O Rio Grande do Sul deve estar preparado para o final da primavera, verão e início do outono de 2027 para o impacto do El Niño. Hoje, o fenômeno climático tende a ser muito forte. O alerta foi feito pela climatologista Natalia Pereira, da Catavento Meteorologia e Meio Ambiente, durante o Encontro Metropolitano da Defesa Civil realizado nesta segunda-feira (25), pela Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre (Granpal), em Alvorada, conduzido pelo prefeito e presidente da Granpal, Douglas Martello, com a participação de prefeitos da região e dirigentes da Defesa Civil de cada localidade.
O objetivo da reunião foi debater ações integradas de prevenção, resposta e reconstrução diante dos próximos desafios climáticos enfrentados pelo Rio Grande do Sul. Natalia explicou que são feitas atualizações semanais no intuito de elaborar um acompanhamento meteorológico e reunir informações sobre o El Niño. “Temos a previsão de um El Niño mais forte e chuvas acima da média no Rio Grande do Sul. Precisamos seguir fazendo o acompanhamento para sabermos se as chuvas serão mais distribuídas ou concentradas em um período menor como em 2023 e 2024”, explica a diretora da Catavento.
O Encontro Metropolitano da Defesa Civil reuniu a Defesa Civil do Estado, a Secretaria de Reconstrução Gaúcha, e mais de 20 municípios da região metropolitana para a realização do diagnóstico geral sobre o fenômeno climático e o alinhamento entre municípios para compartilhamento de ideias e consolidação de uma preparação conjunta. Douglas Martello assegura que a Granpal realizou dois encaminhamentos: a criação de um sistema de monitoramento metropolitano para recolhimento de informações, e a proposta de um protocolo conjunto para melhor proteção e redução de danos nos municípios.
Neste sentido, a Granpal está em fase de formalização de um sistema de monitoramento climático disponível para os municípios da região metropolitana. O objetivo é que todos os municípios do Consórcio tenham acesso aos dados sobre o clima. Hoje apenas três possuem (Porto Alegre, Canoas e Guaíba). Martello também sugeriu a prorrogação do pagamento da dívida do Estado com o Governo Federal e que os municípios e o governo estadual já estruturem decretos preventivos.
Angela de Oliveira, secretária Adjunta da Reconstrução Gaúcha e presente ao encontro, acredita que o Rio Grande do Sul está mais preparado para o enfrentamento das chuvas em relação a 2024, ano em que houve a histórica enchente de grandes proporções no Estado. “O Governo do Estado tem uma série de ações dentro do Plano Rio Grande. Hoje são mais de 200 atividades que estão em andamento e que vão nos dar uma melhor condição de resposta no enfrentamento das chuvas”.
O Plano Rio Grande é o programa de reconstrução, adaptação e resiliência climática do Rio Grande do Sul, criado pelo Governo do Estado após as enchentes históricas recentes. Além das ações do programa, a secretária enxerga grande importância na Granpal, considerando melhor previsão e preparação para os desafios através do trabalho conjunto. “A coordenação da instância estadual com os municípios, especialmente na Granpal, reunindo cerca de 40% da população gaúcha, é extremamente relevante”, diz Angela.
Fórum de Agricultura
A criação de um consórcio intermunicipal voltado à inspeção e à comercialização de produtos de origem animal ganhou força no Fórum de Agricultura da Granpal, no Instituto Caldeira, em Porto Alegre. Na quarta-feira (27), gestores públicos da área de desenvolvimento rural se reuniram para debater sobre atualizações no sistema de fiscalização municipal de produtos de origem animal.
A proposta, que deverá ser desenvolvida por um grupo de trabalho com apoio da assessoria jurídica da Granpal, prevê que pequenos produtores de laticínios, embutidos, ovos, pescado e piscicultura, e outros, possam comercializar seus produtos em todos os municípios participantes do projeto. O objetivo é ampliar o comércio e a fiscalização dos produtos na Região Metropolitana, sem envolvimento de adesão federal ou estadual.
Na prática, o consórcio permitiria que um produtor porto-alegrense, por exemplo, comercialize seu produto em Alvorada, Guaíba ou qualquer outro município que aderir ao modelo.
Cássio Trogildo, secretário de Governança Cidadã e Desenvolvimento Rural de Porto Alegre e Coordenador do Fórum, explica que o Sistema de Inspeção Municipal (SIM) atual, autoriza apenas o comércio dentro dos limites da própria cidade, e o consórcio habilitaria o produtor a vender seus produtos com um maior alcance territorial sem depender de autorizações no sistema estadual (SUSAF) ou federal (SISB). Entretanto, Trogildo considera a possibilidade de integração parcial ao Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SISB). “Isso ampliaria e incluiria aos produtores a possibilidade de comercializar nacionalmente”, adiciona o secretário.
Entre os próximos desafios da Granpal, foi identificado o recolhimento de dados atualizados sobre a produção rural na região. Considerando o censo agropecuário vigente de 2017, é preciso uma nova atualização e um levantamento consolidado da produção alimentícia dos municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre.
Fórum da Causa Animal
Esporotricose, doença que contamina principalmente gatos, tem causado preocupação em encontros da causa animal da Granpal
Integrantes do Fórum da Causa Animal discutiram, na quinta-feira (28), sobre o tratamento de animais com esporotricose, doença comum causada por fungos em gatos, mas que cachorros e humanos também podem contrair. Além disso, o Fórum contou com palestra sobre o estudo de caso da doutora Bruna, abordando o tratamento de animais em vida livre.
A discussão no Fórum da Causa Animal deu seguimento ao assunto do último encontro, refletindo sobre o fornecimento de itraconazol, antifúngico para tratamento de animais com esporotricose. O Estado planeja um projeto piloto, onde serão escolhidos cinco munícipios do Fórum a partir do número de casos para a distribuição de medicamentos.
Brunna de Souza Barni, Coordenadora Técnica do Gabinete da Causa Animal de Porto Alegre, expressa preocupação com animais de rua, comuns nas ruas e expostos à contaminação. “Temos visto vários casos de animais de rua, pois na falta de isolamento, se tornam mais predispostos a se contaminar com esporotricose. Vemos muito isso nos municípios da nossa região”.
No Fórum, foram também apresentadas as ações que os municípios estão realizando, com troca de experiências e foco no comportamento feral de animais em vida livre.





