Festival Internacional de Artes Cênicas volta a ocupar os palcos da capital gaúcha entre 10 e 20 de setembro reunindo montagens que tratam de temas como resistência, identidade, patrimônio, manifesto, memória e cultura. A programação completa será anunciada no dia 11 de agosto
Na montagem, Taís é Mayah, uma mulher de quase 40 anos que se sente inconformada em ter que reproduzir acordos sociais, emocionais e identitários
Novo espetáculo estrelado por Taís Araujo, Mudando de Pele é a primeira atração confirmada do 33º Porto Alegre em Cena. A peça, com direção da premiada artista Yara de Novaes, narra a jornada de uma mulher em busca da sua identidade. Serão duas apresentações no Teatro Simões Lopes Neto, nos dias 12 e 13 de setembro.
A confirmação antecipa o recorte curatorial desta edição do Festival Internacional de Artes Cênicas, que voltará a ocupar os palcos da capital gaúcha entre os dias 10 e 20 de setembro. Neste ano, o evento propõe refletir sobre o Brasil contemporâneo reunindo montagens recentes que retratam as inquietações, contradições e transformações do nosso país, a partir de temas como resistência, patrimônio, identidade, memória e cultura.
A programação completa do festival será anunciada no dia 11 de agosto, às 19h, em evento aberto ao público, na Zona Cultural. A venda dos ingressos terá início na manhã seguinte, dia 12, pelo site www.portoalegreemcena.com.br.
A primeira atração confirmada
Mudando de Pele, montagem teatral da autora inglesa Amanda Wilkin, é permeado por algumas perguntas centrais: Quanto você já se adaptou para estar em algum lugar? Quantos incômodos sentiu por não se sentir pertencente? Qual o significado de se reconhecer em sua pele e identidade?
O trabalho, que marcou o retorno de Taís Araujo aos palcos no último mês de abril, é o resultado da busca da atriz por pesquisar e contar histórias originais sobre mulheres. “Há anos procuro um texto sobre histórias de mulheres e mulheres pretas que não passe pela questão da sobrevivência ou da dor. Mudando de Pele é uma reflexão com temas universais, que dialoga com o público em geral e com a artista que sou”, explica Taís.
Para dar vida à empreitada, Taís buscou a direção de Yara de Novaes, que trouxe para ser sua diretora assistente a atriz Ivy Souza. Ambas imprimiram um ritmo célere e formaram uma espécie de “solo coletivo”, já que no palco acompanham Taís duas musicistas: Dani Nega, que também assina a direção musical, e Layla, responsável por tocar ao vivo instrumentos como a kora africana, uma harpa pouco conhecida no Brasil mas bastante utilizada pelos povos da África Ocidental. “Eu me sinto honrada em construir com a Taís esta parceria junto de outros artistas que admiro muito. Este solo parte de deslocamentos que sua protagonista nem sabia que tinha e que geram uma grande jornada”, aponta Yara.
Na montagem, Taís é Mayah, uma mulher de quase 40 anos que se sente inconformada em ter que reproduzir acordos sociais, emocionais e identitários. Movida por um desejo de ruptura profunda, ela inicia uma travessia de autoconhecimento e transformação, que se realiza a partir do encontro com outras mulheres. Uma história que, no palco, para além das músicas originais apresentadas – é também contada por meio de um figurino assinado com maestria por Teresa Nabuco, que revela o estado da personagem em camadas, primeiramente desencaixado para então “mudar de pele” na busca pela plenitude.
O espetáculo tem produção da Quintal Produções, tradução de Diego Teza, dramaturgismo de Nathália Cruz, cenografia de André Cortez, direção de movimento e colaboração artística de Cristina Moura e desenho de luz de Gabriele Souza.
Sobre Taís Araujo
Um dos nomes mais expressivos e relevantes de sua geração, Taís Araujo tem mais de 30 anos de carreira e números superlativos: são cerca de 20 obras entre novelas e minisséries, além de 13 filmes no cinema. Já o teatro ajuda a contar sua própria história desde sua estreia nos palcos em 1993. Logo na terceira peça, em 1997, encarou Orfeu da Conceição, de Haroldo Costa. De lá para cá esteve no elenco de 12 montagens com destaque para O Método Grönholm, dirigido por Luiz Antonio Pilar e Caixa de Areia, de autoria e direção de Jô Bilac. Em 2015, estreou O Topo da Montanha com direção de Lázaro Ramos. A montagem, pela qual foi indicada ao prêmio Shell de melhor atriz, ficou mais de cinco anos em cartaz e arrebatou mais de meio milhão de espectadores. Mudando de Pele é seu primeiro solo e é resultado da pesquisa de Taís por contar e erguer peças com valor social.
Sobre a diretora Yara de Novaes
É atriz, diretora e professora de teatro. Recebeu vários prêmios por suas atuações e direções, entre eles, APCA, Prêmio Shell, Questão de Crítica, APTR, Aplauso Brasil e Fundacen. Em 2005 formou o Grupo 3 de Teatro com Débora Falabella e Gabriel Paiva. Dirigiu diversos espetáculos, como Tio Vania, de Anton Tchécov (com o Grupo Galpão); Caminho para Meca, de Athol Fugard (com Cleyde Yáconis); A serpente, de Nelson Rodrigues, A Ira de Narciso, de Sérgio Blanco; e mais recentemente, Mãos Trêmulas, de Victor Nóvoa, Teoria King Kong, de Virginie Despentes, Prima Facie, de Suzie Miller, com Débora Falabella, e Lady Tempestade, de Silvia Gomez, com Andrea Beltrão. Seus recentes projetos no audiovisual incluem as séries Angela Diniz, e as inéditas Samu e Véspera. No cinema, foi protagonista do filme Malu, de Pedro Freire, filme vencedor no Festival Sundance de Cinema.
Sobre a Quintal Produções
A Quintal Produções é uma empresa de produção fundada em 2008 que se dedica à criação, desenvolvimento e gestão de projetos culturais, especialmente no campo das artes cênicas. Reconhecida por sua qualidade, a Quintal vem emplacando sucessivos êxitos nos palcos brasileiros, entre eles Lady Tempestade, com Andrea Beltrão, e Teoria King Kong, ambos dirigidos por Yara de Novaes. Vale ainda citar Pequeno Monstro e BR-Trans, protagonizados por Silvero Pereira; Tudo, dirigido por Guilherme Weber; e, Cérebro Coração com Mariana Lima, direção de Enrique Diaz e Renato Linhares. Em cada projeto, a Quintal reafirma seu propósito de promover experiências artísticas potentes, capazes de refletir e debater temas prementes à ideia de civilidade, identidade e diversidade.
Mais sobre o Porto Alegre em Cena
Desde sua criação, em 1994, o Porto Alegre em Cena construiu uma trajetória profundamente conectada à história cultural da cidade. Em mais de três décadas de trajetória, o festival se tornou referência pela excelência de sua programação, reunindo artistas, companhias e criadores que marcaram a história das artes cênicas no Brasil e no mundo. Pelos palcos do festival passaram nomes como Peter Brook, Ariane Mnouchkine, Pina Bausch, Bob Wilson, Patrice Chéreau, Philip Glass, Marianne Faithfull, Goran Bregovic, Eimuntas Nekrosius e Sankai Juku, além de grandes expoentes da cultura brasileira, entre eles Fernanda Montenegro, Maria Bethânia, Marieta Severo, Zé Celso, Renata Sorrah, Nathália Timberg e Paulo José.
Além da programação de apresentações, que acontece de 10 a 20 de setembro, a 33ª edição do festival dará continuidade ao Reside Alegre, projeto que, desde 2025, integra a programação formativa do Em Cena. A iniciativa transforma histórias de moradores da capital gaúcha em espetáculos, partindo da escuta dessas narrativas para criar dramaturgias que depois são apresentadas nas ruas da cidade e em espaços inusitados, como casas e lojas. Neste ano, a ação será realizada às vésperas da agenda de espetáculos, nos dias 4, 5 e 6 de setembro, ocupando a rua Alberto Torres, no bairro Cidade Baixa.
Alguns dos espaços participantes já estão confirmados para receber o festival neste ano. Entre eles estão o Centro Municipal de Cultura, Arte e Lazer Lupicínio Rodrigues, o Multipalco Eva Sopher, a Casa de Cultura Mario Quintana, o Centro Histórico-Cultural Santa Casa, o Estúdio Stravaganza, a Zona Cultural e a Terreira da Tribo.
O 33º Porto Alegre em Cena – Festival Internacional de Artes Cênicas é apresentado pelo Ministério da Cultura, pela Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul e pela Prefeitura Municipal de Porto Alegre, conta com financiamento da Lei Federal de Incentivo à Cultura e Lei Estadual da Cultura – LIC RS/ Pró-Cultura, gestão cultural da Primeira Fila Produções e patrocínio de Zaffari, Panvel e Unimed. O evento é realizado pela Prefeitura Municipal de Porto Alegre e pelo Ministério da Cultura.
Serviço
33º Porto Alegre em Cena – Festival Internacional de Artes Cênicas
De 10 a 20 de setembro, em diversos palcos de Porto Alegre
A programação completa será anunciada no dia 11 de agosto
Os ingressos para todas as atrações começam a ser vendidos no dia 12 de agosto pelo site www.portoalegreemcena.com.br
Primeira atração confirmada
Espetáculo Mudando de Pele, com Taís Araujo e direção de Yara de Novaes
Dias 12 e 13 de setembro
Sábado, às 20h; e domingo, às 18h
Teatro Simões Lopes Neto, no Multipalco Eva Sopher (Rua Riachuelo, 1089 – Centro Histórico – Porto Alegre/RS)
Reside Alegre – Residência Artística
De 4 a 6 de setembro, no bairro Cidade Baixa
Mais informações em breve





