4º Seminário da Industrialização na Construção discute produtividade e novas tecnologias no setor

Encontro promovido pelo Sinduscon-RS e AsBEA-RS reuniu profissionais da cadeia da construção civil em Porto Alegre

O Sinduscon-RS e a AsBEA-RS realizaram nesta quarta-feira, 16, no Teatro Sinduscon-RS, em Porto Alegre, o 4º Seminário da Industrialização na Construção. O evento reuniu projetistas, construtores, incorporadores, representantes da indústria, da academia e do poder público em torno de sistemas pré-fabricados, soluções industrializadas para instalações prediais e madeira engenheirada — um fio condutor que atravessou as quatro apresentações do dia: reduzir desperdício e tempo de obra sem abrir mão de segurança e qualidade.

O tema chega em um momento de expansão do setor. Em 2025, a construção civil cresceu 0,5% e completou o segundo ano consecutivo de crescimento, mesmo com os juros nos patamares mais altos dos últimos 20 anos, segundo dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). É nesse cenário que as soluções industrializadas ganham espaço como caminho para dar mais escala, velocidade e eficácia às obras.

Para Roberto Sukster, vice-presidente do Sinduscon-RS, o setor vive um momento difícil, marcado pela falta de mão de obra e pelo aumento de custos, o que reforça a urgência da industrialização. Segundo ele, industrializar não significa mudar a forma de construir. “Temos que projetar e planejar melhor para reduzir as improvisações no canteiro. Para isso, é fundamental a integração entre arquitetura, engenharia, indústria, fornecedores e construtora — não existe industrialização eficiente sem projeto, compatibilização e definição clara de desempenho”, explica.

Na mesma linha, a presidente da AsBEA-RS, Raquel Hagen, entende que prazos cada vez mais apertados e o aumento de custos já chegaram aos escritórios de arquitetura. “Um projeto pensado para ser industrializado desde o início evita retrabalho e imprevistos que, hoje, ainda são tratados como parte natural da obra.Por isso a AsBEA-RS tem investido em aproximar os arquitetos dessas novas tecnologias”, complementa. 

As apresentações técnicas do dia colocaram esse raciocínio em prática. A primeira delas, sobre sistemas pré-fabricados, ficou com o engenheiro Sergio Bandeira, da Inovacel, que trouxe o lançamento do sistema KingWall, da Kingspan-Isoeste. A solução se baseia em painéis de fachada com núcleo isolante aprovado em ensaio de reação ao fogo, um dos pontos críticos de segurança em sistemas de fachada industrializados, e representa uma alternativa pré-fabricada às soluções convencionais de vedação externa.

A mesma busca por padronização apareceu na sequência, na apresentação de Paulo Borges sobre o sistema Liga Fácil, voltado à industrialização de instalações elétricas e hidráulicas prediais. Se a proposta anterior tratava da pele do edifício, esta tratava de peças customizadas e pré-configuradas que substituem a montagem de chicotes elétricos e hidráulicos em obra, reduzindo desperdício de material e o tempo de instalação no canteiro.

Depois de soluções voltadas à aplicação imediata em obras, Beatriz Melo, representante do Instituto Arthur Casas de Arquitetura e Inovação (IACAI), trouxe um recorte mais amplo, com o lançamento de uma plataforma gratuita dedicada a mapear projetos e sistemas construtivos inovadores, do passado e do presente. A proposta trata a pesquisa histórica e técnica como ferramenta de projeto, reunindo referências que podem orientar decisões de arquitetos e construtores diante de novas tecnologias, incluindo as próprias soluções apresentadas ao longo do seminário.

Com participação internacional, o ciclo de apresentações fechou com Juan Pablo Latorre, do Enkel Group, que trouxe a experiência do Uruguai com madeira engenheirada em larga escala. O projeto Médano, do arquiteto Rafael Viñoly, serviu de estudo de caso: um empreendimento de 120 unidades à beira-mar construído majoritariamente em madeira, em uma escala residencial ainda incomum no mercado brasileiro.

O 4º Seminário Industrialização na Construção conta com o patrocínio da Kingspan/Isoeste e Liga Fácil e tem como apoiadores o Sistema Fiergs e MVM- Revestimentos

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