Deixar a redação para o fim, insistir em questões difíceis e preencher o gabarito às pressas estão entre as falhas que podem comprometer o desempenho no primeiro dia
Saber a resposta não garante que o aluno vai conseguir transformar conhecimento em pontos no ENEM . No primeiro dia de prova, decisões aparentemente pequenas, como a ordem em que fazer as questões, o tempo gasto em um item difícil ou o momento de preencher o gabarito, podem comprometer o desempenho. Para quem enfrenta 90 questões e uma redação em cinco horas e meia, administrar o relógio faz parte da própria estratégia de prova.
Uma das principais decisões precisa ser tomada antes de entrar na sala: quanto tempo será destinado à redação. A orientação é reservar cerca de uma hora e meia para o texto e trabalhar com uma média de três minutos por questão. A ordem das etapas pode variar de acordo com o perfil de cada estudante, mas o horário para começar a redação deve estar previamente definido.
“O aluno não deveria descobrir durante a prova como vai administrar o tempo. Se a estratégia for fazer a redação depois de parte das questões, por exemplo, é preciso saber de antemão em que momento vai parar. O risco de não estabelecer esse limite é chegar ao final com pouco tempo para planejar, escrever e revisar”, explica Rafael Galvão, Diretor Pedagógico do Ensino Médio da Rede Alfacem Global Academy.
O início da prova também merece atenção. Começar imediatamente pela redação pode significar enfrentar a produção de texto antes de entrar no ritmo de leitura exigido pelo exame. Já deixar a redação para os minutos finais pode comprometer justamente as etapas que ajudam a organizar o texto. Não existe uma única ordem obrigatória, mas a escolha precisa ser testada e definida antes do dia do ENEM .
Nas questões de Linguagens e Ciências Humanas, uma das armadilhas mais frequentes está em confundir uma informação verdadeira com a resposta correta. O estudante reconhece o conteúdo de uma alternativa e deixa de verificar se ela atende exatamente ao que o enunciado está perguntando.
“A alternativa pode trazer uma informação correta e, mesmo assim, não responder à questão. O aluno precisa voltar ao comando e conferir o que está sendo solicitado. É uma diferença simples, mas que pode fazer com que ele escolha uma resposta apenas porque reconheceu o assunto”, afirma Galvão.
A mesma lógica vale para as questões consideradas muito difíceis. Gastar vários minutos tentando resolver um único item pode comprometer o restante da prova. A recomendação é marcar a questão, avançar e voltar a ela depois de resolver aquilo que o estudante domina. A prioridade deve ser evitar que uma dificuldade pontual consuma o tempo de várias outras questões.
Na redação, o primeiro cuidado é identificar o recorte exato do tema. O enunciado pode parecer amplo à primeira vista, mas a proposta exige que o estudante desenvolva uma discussão específica. Sair desse recorte e apenas falar sobre o assunto de maneira geral pode levar à tangência do tema e comprometer a nota.
Os textos motivadores também têm uma função específica: ajudam o candidato a compreender a proposta e fornecem elementos para a reflexão, mas não devem ser reproduzidos como se fossem parte da própria argumentação. Entre os erros que podem provocar perdas significativas estão a tangência ao tema, uma proposta de intervenção incompleta e o desrespeito aos direitos humanos.
Outro momento de atenção aparece no fim da prova. Muitos estudantes deixam para transcrever todas as respostas nos últimos minutos e acabam cometendo erros no cartão-resposta. Nesse caso, não se trata de desconhecer o conteúdo: uma alternativa pode ter sido identificada corretamente no caderno e ser marcada de forma diferente no gabarito.
Também é preciso ter cautela com a percepção do resultado logo após a prova. A sensação de ter ido mal não permite concluir qual será a nota, já que a TRI considera a coerência do conjunto de respostas, e não apenas o número bruto de acertos.
Por isso, a orientação é não transformar o domingo em uma tentativa de reconstruir a prova. Conferir cada questão imediatamente, comparar respostas e tentar estimar a nota pode aumentar a ansiedade sem alterar o desempenho já registrado.
“A prova acabou quando o cartão foi entregue. Ficar revivendo cada questão não ajuda a recuperar nenhum ponto e pode tirar energia do segundo dia. O mais importante é descansar e retomar a preparação na segunda-feira”, orienta o Diretor.





