Embora eu goste de ver a bola balançar as redes, principalmente dos adversários do time da minha preferência, não compartilho a opinião de que jogo terminado em 0 a 0 é sempre desinteressante. Mais desinteressante do que isso, certamente, é o confronto no qual existe um time muito superior ao outro, que só tem o trabalho de empilhar gols enquanto aguarda o relógio do árbitro determinar o final da partida. O Gre-Nal disputado domingo na Arena, que terminou com o placar em branco, teve momentos de bom futebol, principalmente quando os atacantes conseguiram superar a marcação dos zagueiros, criando situações de gol. A bola não entrou porque encontrou no caminho para as redes goleiros e zagueiros concentrados na tarefa de impedir que chegasse ao seu destino. Então, o Gre-Nal não representou um retrocesso técnico em relação a sua bonita e longa história. Foi sério e aguerrido como devem ser todos os clássicos.
As restrições que faço ao Gre-Nal de domingo se referem ao comportamento agressivo de alguns jogadores e, principalmente, as entrevistas varzeanas de dirigentes após a realização do clássico, tendo como origem a séria lesão sofrida pelo atacante Bolaños. Em uma disputa de bola com Willliam, no início do jogo, ele foi atingido no rosto pelo braço do lateral do Internacional, como mais tarde mostraram as imagens de televisão. O resultado do impacto do braço de William no rosto do equatoriano foi o pior possível. Ele deverá ficar vários dias afastado do futebol por ter sofrido uma fratura no maxilar. De fato, um acidente de trabalho lamentável, principalmente pelo sofrimento que Bolaños está passando. Mas foi exagerada a declaração de que William é um criminoso, que merecia estar na cadeia. O pedido de desculpas do jovem jogador, visivelmente triste com a lesão de Bolaños, foi suficiente para isentá-lo de culpa. De costas para Bolaños, William não tinha condições de visar a boca do colega de profissão para provocar tanto estrago.Foi uma mera fatalidade, que tantas vezes ocorre no futebol. Tomara que Bolaños se recupere o mais depressa possível e que William, recém no início da caminhada rumo à consagração profissional, não fique deprimido com a acusação de que agiu de forma criminosa. O Gre-Nal da Arena teria sido exemplar mesmo com o resultado de 0 a 0 sem as entrevistas desvairadas de dirigentes após a sua realização. A intolerância e o fanatismo estimulados por dirigentes microcéfalos não podem ocupar lugar destacado nas entrevistas em jogos de futebol.






