PORTALUPPI E SUAS ENTREVISTAS – O REI NÃO TÁ NA BARRIGA | Por Carlos Josias

Facebook Twitter Google+ LinkedIn WhatsApp

Renato é um sujeito bem humorado e fala sério brincando. Suas entrevistas são um misto de deboche com seriedade irônica, na realidade são divertidas. Há quem confunda com pretensão, bobagem, Renato diz o que pensa, isto irrita alguns. Célebre, consagrado, multicampeão, rico, festejado por onde passa, ele adquiriu ´status` privilegiado para não levar desaforo pra casa e responde na tampa, como dizia o meu pai. Isto deixa muita gente fora da casinha – em especial nesta desigualdade, uns ganham tanto e outros tão pouco, ai agrega muito dinheiro …

pronto, prato feito para ela, a inveja – e ela é um palavrão. Ao mesmo tempo é um cara leal, amigo, sincero e capaz de praticar atos imediatos de humildade – que são estes que efetivamente valem, como aquele de se agachar para se desculpar com o policial face lhe ter involuntariamente atingido no jogo contra o Galo lá nas Minas Gerais. Não, Renato não é modesto. Quem chega onde ele chega e pelo que fez se for modesto é um hipócrita, ou um Santo, e, definitivamente, Renato não nasceu para ser canonizado.

Pessoas como ele atraem cobiça e desgosto, contraria os infortunados do talento e ou da sorte – para quem acredita que o sucesso está ligado muito à ela.

Jogador já consagrado, ainda no Grêmio foi convidado para participar de um programa chamado Conversa de Arquibancada. Lauro Quadros, Batista Filho, e outros bidus da crônica dominante da época faziam a cena. Renato tinha fama de louco. Lauro, que fazia o analista folclórico, misturando gente com meio quilo de farofa, tinha defeitos mas tinha coragem para perguntar e perguntou sobre ele não ter cabeça para administrar a vida e sua fama de louco. Renato, com as mesmas expressões de hoje, testa franzida, olhos apertados e um sorriso de canto de boca respondeu que ele era muito louco, havia dado uma casa para a mãe que sustentava, tinha 4 ou 5 irmãos (não recordo) e a cada um deu casa, colocou um negócio e deu carro. E arrematou, e estou ficando rico.

Louco era o Lauro Quadros, e pensava que era esperto. Hoje M Saraiva disse que não era absurdo comparar o futebol de Renato com C Ronaldo – salientando que o Gaúcho jogou numa época de mídia infinitamente menor aos tempos atuais. Renato jogava mais. Não, ele não fracassou na Europa, ele queria ir para o Rio de Janeiro, gostava e gosta de lá, tem quem veja defeito nisto, hipocrisia, quem não gosta do RJ? Fiquem à vontade para mentir. Pois ele foi e preferiu o lugar que adorava, ganhou por todos clubes que passou lá – Fla, Flu e Bota – e ficou rico sem precisar sair daqui. Não foi Rei de Roma, que é um time médio, apenas, mas foi Rei do Rio e em cima do baixinho Romário marcando um gol antológico de barriga.

Pois não é que como treinador já levantou dois títulos nacionais? Conta-se nos dedos quem tem isto. Não, Renato não tem um rei na barriga, o Rei dele enquanto jogador esteve nos pés, e hoje está na Estrela. O resto é conversa pra boi dormir.

( na foto de 2006 eu era VP do Grêmio, tínhamos sido campeão gaúcho, e ele veio treinando o Vasco para nos enfrentar no Olímpico; coube a mim a honra de lhe conceder o mimo de pôr a faixa que havíamos conquistado).

Saudações Tricolores!

Posts Relacionados

Leave a Reply

%d blogueiros gostam disto: