PEDRAS E ESPINHOS | Por Kenny Braga

Mesmo que eu fosse torcedor fanático do Novo Hamburgo, não teria coragem de apostar dinheiro na possibilidade do meu time conquistar o titulo gaúcho da temporada. Devo reconhecer, porém, que, levando-se em conta o dinheiro investido pelo clube no futebol, sempre abaixo do necessário, a campanha do Novo Hamburgo surpreende positivamente. Não me lembro de um Gauchão no qual o ocupante da ponta de cima da tabela em rodadas seguidas fosse um clube do interior do Estado.

A ponta de cima da tabela do Gauchão é uma espécie de propriedade exclusiva do Internacional e do Grêmio que,com raras exceções,se revezam na conquista de títulos. Até o momento o Novo Hamburgo já chegou aos 18 pontos, em oito jogos. O saldo é surpreendentemente bom, apesar de duas derrotas sofridas, como a do último sábado, 18 de março, para o Ypíranga, de Erechim, por 2 a 1. Tem quatro pontos de vantagem sobre o vice-líder Caxias e cinco em relação ao Grêmio, que está em terceiro lugar. Nada, porém, garante que o Novo Hamburgo conquistará sua classificação para a próxima fase do campeonato em primeiro lugar na tabela. Se isto acontecer seus torcedores já estarão liberados para comemorar o feito, independentemente da conquista do titulo ou não mais adiante.

Ao contrário do que pensam muitos torcedores do Interacional e do Grêmio, que vêem seus times enfrentando dificuldades quando disputam jogos com times do interior do Estado, acho positivo o crescimento do futebol gaúcho além dos limites da Arena e do Beira-Rio. Quando os dois grandes da capital só empilham goleadas, o Gauchão se torna previsivelmente sem graça. No final da semana, se viu que a corrida do Internacional e do Grêmio em busca do título não será um passeio triunfal até o final da competição. O Internacional venceu o São Paulo, de Rio Grande, no Beira-Rio, com um gol de Nico López, mas até poderia ter perdido se não  tivesse um senhor goleiro chamado Danilo Fernandes. E o Grêmio também penou no enfrentamento em casa com o Veranópolis. Só conseguiu empatar em 1 a 1, depois do susto da torcida com o primeiro gol do Veranópolis. Já se sabe, portanto, que não veremos somente flores no caminho do campeão. Também aparecerão pedras e espinhos, que, ao contrário de diminuírem seu mérito pela conquista do título, irão aumentá-lo. Então, bola pra frente, sem esquecermos, é claro, de lamentar a briga envolvendo jogadores e torcedores do Juventude e do Caxias, após o clássico disputado no estádio Alfredo Jaconi. Não deixo por menos: estupidez, baixaria, ignorância sem tamanho.

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