ERRO DECRETOU DERROTA. VÁRIOS DECRETAM PREOCUPAÇÕES | Por Carlos Josias

ERRO DECRETOU DERROTA. VÁRIOS DECRETAM PREOCUPAÇÕES | Por Carlos Josias

Erros de arbitragem não influenciam no resultado. Ouve-se. Mas pode decidir um jogo se for fatal.

No último lance do jogo, sem mais tempo para nada, o pênalti decidiu a vitória do Bahia. Vi e revi o pênalti e acompanho os jornalistas que ouvi opinarem sobre o lance. A única dúvida que fiquei foi se o jogador baiano escorregou ou simulou. Este erro decretou a derrota tricolor. Mas …. (o primeiro “mas” – de grandes preocupações) Isto seria muito relevante e deixaria razão para reclamos se atuações anteriores fossem melhores. Mas não foi decisivo para má partida realizada pelo time gremista. E isto preocupa mais. Não foi um jogo isoladamente ruim. Poupar ou não poupar é discussão interminável, que inicia lá em 1983 quando a direção abdicou do Gauchão para disputar o mundial. Mas lá o número de campeonatos era muito menor e o calendário com jogos muito mais espaçados, com data para o mundial muito distante. O resultado do final daquele ano, contudo, sepultou favoravelmente a decisão de poupar. Depois que pegamos o gosto pela LA ficamos neste dilema, mas não foi exclusividade nossa, todos que passaram a disputar esta Taça, inclusive no Menino Deus, restaram com ele, e ano após ano a discussão é retomada. Este 2017 foi invadido pelo tema, novamente, e todos os demais clubes do país que disputaram a Libertadores pouparam, mais ou menos, mas fizeram o mesmo. E fato, sobramos só nós. Ainda sou partidário de que somente quem está lá dentro e sabe o “raio x” exato para definir com mais proximidade de acerto o que fazer; o que não importa, necessariamente, ausência de erro. Aqui, de fora, o máximo que se pode fazer é, após o resultado, traçar com dose alta de subjetividade, teorias sobre o assunto. E, tudo isto, à evidência, vem recheado de inclinações vinculadas ao tal resultado, se for bom, a tendência é aplaudir, se for ruim é torcer o nariz. É do jogo. Isto tudo, porém, preocupa secundariamente.

O que releva mesmo são os números. 7 dos últimos 10 jogos não houve gols, e logo nós que fazíamos tantos. O que releva é que este time misto não consegue vencer de ninguém. Perdeu todas. O que releva é que o rendimento de Ramiro desabou – por falar em desabar o Corinthians, faz sete rodadas que derrapa e ficou ainda mais distante de nós do que quando se previu que desabaria. Ramiro está tão cruel quanto Jael. Erro na escalação ainda mais ali onde jogou. Preocupa que mesmo poupando sucedem-se lesões que forçam desfalques inclusive em jogos programados para não haver poupança. Preocupa perder em sequencia para Vasco, Chape e Bahia, todos vencíveis. Preocupa que cada vez mais distantes do primeiro lugar no Brasileiro – que a meu juízo já tem vencedor – a própria permanência no G-4 fica a perigo. Preocupa que aquele futebol exuberante – que eu alertei e sabia que não iria durar para sempre – parece ter findado o ciclo.

Mas ….. (este de esperança) Aquele futebol do toque, que por sinal teve seu último grito no 4º gol contra o SPORT, parece que na LA está concedendo espaço para um futebol que parecia ter cedido diante desta organização de jogadas, que dava contornos de beleza estética admirável aos nossos jogos mas que contra os times de fora do País na Libertadores corre sérios riscos de não dar resultado efetivo. Os times que disputam a LA, Argentinos e outros, não deixam evoluir o jogo de toque. Truncam a jogada, fazem muitas faltas, se irritam com toques curtos, pegam pesado, batem muito e a arbitragem é bem mais flexível. Nesta disputa há que se ter um futebol de mais entrega física, de arrojo, de gana, de garra, de corpo a corpo e até de balão na necessidade. Havia muita dúvida sobre nossa mudança de estilo e desconfianças de que isto era lindo “pero no mucho”. Muito pessoalmente me rondava o temor das seleções de 82/86. Futebol lindo, mas nada ganho. Fixando-me na LA temos disputado ela com menos exuberância estética e mais a cara que tínhamos aos bons tempos de grandes e sucessivas conquistas. Se repararem bem, foi assim contra o Godoy especialmente aqui, e se não tivesse sido assim não sei não … O tic tac não funcionou contra eles. Contra o Botafogo, ainda que Brasileiro, foi isto que se viu. Pois minha confiança está em enfrentar o clube de Guayaquil com mais imposição ao velho e antigo estilo tricolor. Vi contra o Santos. Marca muito, pega muito e bate muito. Nestes quesitos nada diferente dos Argentinos. Mas, ainda neste segundo “mas”, temos que melhorar muito. Eu disse várias vezes aqui. Podemos ganhar todos os três, dois deles, ou nenhum campeonato. Quem não entender futebol assim não nasceu para compreender este esporte. Mas que temos que nos ajudar para sonhar, ah temos, e muito melhorar se não, não. Saudações Tricolores

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1 Comment

  1. Flavio Andrade
    25 de setembro de 2017 at 13:24 Reply

    Maior erro começa pela escalação de um medíocre Jael, e passa por um Ramiro que está num declínio técnico assustador, mas me chamou muito a atenção da falta de lucidez de dois jogadores caracteristicamente ligados nos jogos que são Edilson e Michel, que ontem abusaram dos erros de passe nas saídas de bola e tbm na péssima colocação na marcação. Não faço terra arrasada mas estou muito preocupado com nossa sequência na libertadores já que brasileiro parece pouco importar pára o clube. Resta saber o que Luan irá render sem a parceria de Pedro Rocha. Se nosso time continuar burocrático não chegaremos a nada e só temos uma bala na agulha.

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