Alta nas cotações do trigo pressiona preços dos derivados

Alta nas cotações do trigo pressiona preços dos derivados

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Valor da tonelada tem reajuste médio acima dos 94% no RS comparado a igual período de 2019

 

Mesmo com o início da colheita da safra 2020/2021 no Rio Grande do Sul, as cotações do trigo vêm acumulando altas consecutivas, chegando a valores em lotes comerciais acima dos R$ 1.400,00 a tonelada, batendo recordes históricos no estado. Conforme o presidente do Sindicato da Indústria do Trigo no Estado do Rio Grande no Sul (SINDITRIGO-RS), Diniz Furlan, a alta dos preços da matéria-prima preocupa o setor moageiro que não tem como suportar o aumento nos custos. “Não temos outra alternativa senão o reajuste nos preços da farinha em um mínimo de 20% de imediato”, diz.

 

Em 29 de outubro de 2019, o trigo era comercializado pelos produtores aos cerealistas e cooperativas, à R$ 683,52 a tonelada (R$ 41,03 por saca). Um ano depois, conforme o dirigente, o trigo está sendo vendido à R$ 1.329,10 a tonelada (R$ 79,78 por saca), com base nos dados ESALQ/CEPEA(ESALQ-Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz; CEPEA -Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada – USP) uma elevação de 94,44% em comparação ao mesmo período do ano passado.

 

Segundo o dirigente, a matéria-prima trigo sofreu os mesmos impactos de aumento de preços que a soja, milho, arroz e outras comodities durante o ano de 2020. Para ele, vários fatores contribuíram para a evolução dos preços do trigo, tais como a venda antecipada para a exportação, algo em torno de 950 mil toneladas, a geada que afetou grande parte da produção gaúcha e, atualmente, a seca em função da atuação do La Nina.

 

A expectativa de produção de trigo no Rio Grande do Sul era acima de 3 milhões de toneladas. Após a geada, a expectativa reduziu em 25% caindo para 2,2 milhões. Com a escassez de chuva do período atual, agentes do mercado estimam uma produção total abaixo de 2 milhões de toneladas. Conforme dados setoriais, a precificação no Paraná está próxima a R$ 1.500,00 a tonelada, sendo que já foi colhido mais de 80%.

 

Já o trigo argentino está cotado em US$ 250,00 a tonelada FOB para dezembro – dados da Bolsa de Cereales de Buenos Aires. Também, conforme o dirigente do SINDITRIGO-RS, está vinculada a quebra de safra do principal exportador do grão para o Brasil, que era estimada em 22 milhões de toneladas e, atualmente, está estimada em 16,8 milhões.

 

“A cotação do dólar é o principal fator de alta da matéria-prima, o que facilita a exportação, uma vez que o Brasil consome cerca de 13 milhões de toneladas de trigo e produz somente em torno de 6 milhões dependendo de importação do restante”, diz Furlan.

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