Festival Olhe pra Cima promove pinturas de sete intervenções artísticas em Porto Alegre 

Festival Olhe pra Cima promove pinturas de sete intervenções artísticas em Porto Alegre 

Facebook Twitter Google+ LinkedIn WhatsApp

O primeiro festival de muralismo e arte pública de Porto Alegre já realizou quatro edições e conta com 14 obras no Centro Histórico, Cidade Baixa e Sarandi

Mais sete intervenções artísticas em Porto Alegre farão a população olhar para cima a partir desse mês: o primeiro festival de muralismo e arte pública de Porto Alegre, o Festival Olhe pra Cima, promove sua quinta edição com ações entre janeiro e março, com a pintura de mais seis empenas, totalizando 19 obras em prédios no Centro Histórico, Independência, Floresta e Cidade Baixa, somando mais de 8 mil m2 de intervenções artísticas pelo município. Para esta edição, o projeto convidou os artistas Aline Bispo, Apolo Torres, Gordo Muswieck, Jocelyn Burgos, Lídia Brancher e Renan Santos que transformarão as fachadas de prédios nas avenidas Independência, Cristóvão Colombo, Otávio Rocha, Loureiro da Silva, Borges de Medeiros e na rua Jerônimo Coelho em telas.

Cada mural conta uma história e vários simbolismos estão escondidos atrás das cores e formas que compõem as obras de arte. Segundo o criador e curador do projeto, Vinicius Amorim, “estes murais ressignificam a maneira como nos relacionamos com a cidade e também com a arte. Nosso convite é fazer com que a gente olhe pra cima e descubra ângulos novos da nossa cidade, que se transformou em uma galeria de arte a céu aberto – com arte pública, democrática e acessível para todos”, revela.

Com financiamento Pró-Cultura RS – Governo do Estado do RS, patrocínio Tintas Renner by PPG e Budweiser e apoio Elev Energy Drink, o festival já iniciou as pinturas das seis intervenções artísticas, começando por Gordo Muswiek, que ocupará a fachada na Avenida Independência, e devem encerrar no final de fevereiro. Cada mural leva em torno de 20 dias para ser pintado, dependendo de questões como clima e complexidade de cada desenho. Serão mais de 1.300 litros de tintas e vernizes da marca Tintas Renner by PPG utilizados no total. Em torno de 60 profissionais estão envolvidos no projeto, entre artistas, assistentes, produtores, técnicos, engenheiros e bombeiros, entre outros.

“Sabemos que essa mudança na paisagem urbana vai para além de revitalizar os prédios, pois traz transformações de impacto social: a arte pública promove na comunidade o desenvolvimento conjunto econômico, cultural e social, e para o indivíduo, os benefícios podem ser vistos na saúde, no desenvolvimento cognitivo, psicológico e também nos laços interpessoais. O projeto visa resgatar a sensação de pertencimento da comunidade, deixando para trás a sensação de que as vias públicas são meras passagens, mas sim espaço de arte, reflexão, beleza e contemplação”, declara o Gestor Cultural, responsável no sul do país pelo projeto canadense – Art Battle – maior competição de pintura ao vivo do mundo e que ocorre desde 2016 em Porto Alegre.

Nesta edição, o mapa de intervenções se amplia, com obras em prédios nos bairros Independência e Floresta, um motivo de comemoração para Amorim, já que o objetivo do projeto a longo prazo é alcançar o máximo de regiões possíveis da capital, como o exemplo da intervenção artística no bairro Sarandi, realizada na edição de 2024, e que se repete esse ano. Além disso, é a primeira vez que o evento conta com a participação de uma artista internacional, a chilena Jocelyn Burgos, que assina a obra que vai ocupar um prédio na avenida Otávio Rocha, Centro Histórico.

Ação social contará com segunda intervenção artística coletiva no bairro Sarandi e abre convocatória no final de Janeiro/26

Nas edições de 2021 e 2022, o Festival Olhe pra Cima realizou duas ações sociais: a pintura de mural no Território Ilhota e na fachada da Casa de Acolhimento Mulheres Mirabal. Em 2024, foi a vez do bairro Sarandi, um dos mais atingidos pela enchente daquele ano, a receber uma intervenção artística coletiva assinada por 10 artistas juntamente com o Coletivo Abrigo, uma organização de educação, cultura, esporte e assistência social fundada em 2015. A parceria se repete desta vez, através de convocatória no site do evento a partir do final de janeiro.

O Coletivo Abrigo, foi o idealizador do projeto Viva Elizabeth: Diálogos que transformam a vila é uma rota turística de graffiti localizada na periferia de Porto Alegre, na Vila Elizabeth, inspirado na Comuna 13 de Medellín. Com quase 2km de extensão, essa iniciativa reúne a expressão artística de 36 artistas, transformando a comunidade em uma vibrante galeria de arte a céu aberto. Além de estimular o turismo periférico, o projeto busca descentralizar os investimentos em cultura, impulsionar a economia local e celebrar a identidade cultural única da região.

O Festival selecionará 10 artistas que receberão um cachê de R$1.200 (mil e duzentos reais) e desenvolverão uma obra conjunta que integrará o tour.

“A preocupação social sempre esteve presente em nosso festival, porque nosso objetivo  também é aproximar a arte daqueles que estão muito distantes dela, como os bairros periféricos com vulnerabilidade social”, declara Amorim.

As inscrições para a convocatória serão divulgadas em breve. Para mais informações, acesse www.olhepracima.com.br  | www.instagram.com/olhepracima.art

FESTIVAL OLHE PRA CIMA 2025/2026

Artistas participantes e locais selecionados:

ALINE BISPO

BORGES DE MEDEIROS, 1121 – CENTRO – POA/RS

Aline Bispo, São Paulo, SP, 1989 – é multiartista visual, ilustradora, curadora independente – que atualmente atua na curadoria do Instituto Ibirapitanga e também é colunista do Nós Mulheres da Periferia.

Em suas produções investiga temáticas que cruzam a miscigenação brasileira, gênero, sincretismos religiosos e étnicos. Faz parte do time de artistas com obras expostas e/ou presentes nos acervos MASP, IMS Paulista, Pinacoteca de São Paulo, SESC, Museu Afro Brasil, Itaú Cultural, MAC-RS e Galeria Luis Maluf.

Atualmente possui três empenas pintadas no Parque Minhocão, em São Paulo, sendo a primeira “Salve, Lélia!”, em uma homenagem a Lélia Gonzalez.

Aline também é a ilustradora da capa de livros como livro Torto Arado e toda a atual trilogia, recém lançada de Itamar Vieira Junior, é co-autora de Serena Finitude ao lado de Anelis Assumpção e ilustra semanalmente a coluna de Djamila Ribeiro para a Folha de São Paulo.

Multidisciplinar, adentrou também o espaço da moda, lançando sua primeira coleção Belezas Brasileiras Hering, criou as estampas que ocuparam a passarela do SPFW, na coleção Fartura, de Naya Violeta e em 2023 inaugurou sua coluna mensal na plataforma Nós Mulheres da Periferia.

APOLO TORRES

LOUREIRO DA SILVA, 1960 – CIDADE BAIXA – POA/RS

Nascido em 02 de maio de 1986 em Diadema, SP, Brasil. Atualmente, vive em São Paulo. Graduado em Desenho Industrial na Universidade Mackenzie, em São Paulo (2008), estudou pintura e processos criativos na School of Visual Arts, em Nova York (2013). Meu trabalho lida com a ocupação do espaço, principalmente no ambiente urbano, mas também onde ele afeta e entra em choque com a natureza. A pintura é minha linguagem de expressão e consiste principalmente em trabalhos figurativos em tela e murais públicos de grande formato, transitando pela pintura clássica, street art e arte contemporânea. Com exposições individuais no Brasil, Itália e Estados Unidos, e participações em festivais e exposições coletivas em diversos países, Apolo é um expoente do muralismo contemporâneo brasileiro.

GORDO MUSWIECK

AV. INDEPENDÊNCIA, 56  – INDEPENDÊNCIA – POA/RS

Tintas, muitas cores, palavras e personagens. Fernando Muswieck, o Gordo17, nascido em 1987, conheceu a arte do graffiti em 2001. Formado em Artes Visuais Bacharelado, começou a trabalhar com o conceito de “se espalhar”, saindo da parede para os mais diferentes tipos de superfícies e materiais. Acredita que pintando seu personagem e suas caligrafias pelas ruas das cidades e nas decorações de ambientes ele estará onipresente.

Onde a arte dele está, ao menos um pedaço seu permanece por lá, viralizando sua mensagem. Hoje, se encontra na fase “O avesso” que, do contrário da rua, traz para suas obras memórias já vividas. Compondo com referências nas estéticas das ruas Gordo harmoniza suas obras com muitas camadas, texturas e cores. Fala que assim traz a estética do “graffiti tradicional”.

Tendo seu próprio espaço de arte em Pelotas desde 2017, hoje tem trabalhos espalhados pelo Brasil, Uruguai e atualmente Estados Unidos, onde foi executar uma pintura na nova sede da FIBA (Federação Internacional de Basquete) em Miami, já deixando por lá outras encomendas que foram surgindo ao longo da estadia.

Ultimamente seu trabalho está sendo frequente no Rio Grande do Sul e em São Paulo, sem falar os envios de obras para todo o Brasil.

JOCELYN BURGOS

OTÁVIO ROCHA, 280 – CENTRO – POA/RS

Jocelyn Burgos, nasceu no estado de Lota (Chile), 1993 – é arquiteta, artista e arte educadora. Sua cidade natal é conhecida pela tradição de mineração de carvão. Atualmente reside entre as cidades de Concepción (Chile) e São Paulo (Brasil).

Trabalha como muralista contemporânea desde 2010, sua motivação é pintar murais em espaço público porque pode interagir diretamente com a comunidade. Além de acreditar que a arte pública cria espaços mais seguros e permite que os moradores aproveitem a cidade como um lugar de inspiração, expressão aonde a diversidade ganha voz.

Através da sua pintura busca retratar o passado que parece estático, com memórias emoções e momentos. Isto às vezes não a pertence, mas permite a artista experimentar trazer para o presente.

Através da cor a artista coloca em suas produções imagens de atmosférica simbólica e oníricas que convidam o espectador a interpretar e refletir através dos seus próprios olhos o passar do tempo.

LÍDIA BRANCHER

JERÔNIMO COELHO, 59 – CENTRO – POA/RS

 Lídia Brancher é artista visual, designer e ilustradora. Sua trajetória transita entre o graffiti, as artes gráficas e o design digital, articulando uma produção que une pesquisa poética e atuação profissional em diferentes campos da imagem. Iniciou sua relação com a arte urbana em 2005. Em paralelo, Lídia expandiu seu repertório técnico e poético, experimentando diferentes linguagens como a xilogravura, litografia, colagem e serigrafia.

Sua pesquisa visual investiga o feminino em sua complexidade, com ênfase no corpo e nas expressões gestuais, articulando figuração e abstração em composições que exploram o diálogo entre forma e vazio. Sua poética propõe recortes sensíveis de sentimentos e momentos, guiando-se por princípios da Gestalt para explorar as relações entre traço, preenchimento e ausência na construção da imagem.

Ao longo de sua trajetória, Lídia Brancher construiu uma linguagem visual que combina sensibilidade e crítica, transitando entre o espaço público e o ateliê. Sua produção, marcada pela presença do corpo, do gesto e do olhar feminino, reafirma a potência da arte gráfica como meio de expressão política e afetiva, em diálogo constante com a cidade, a memória e o cotidiano.

RENAN SANTOS

CRISTÓVÃO COLOMBO, 200 – FLORESTA – POA/RS

Renan Santos, nascido na cidade de Canoas-RS, em 1984. Ilustrador autodidata estudou arquitetura, decidiu mudar sua trajetória para fazer o que realmente gostava – desenhar. Do desenho para a gravura em metal, da gravura para a pintura. Hoje em dia trabalha nos três segmentos consecutivamente mantendo sempre a mesma identidade.

Dentre os trabalhos que fez, estão publicações infantis e infanto-juvenis , murais de grandes escalas, trabalhos estampando roupas e objetos, exposições e feiras de arte, recentemente ilustrou uma reedição de DomQuixote.  Das diversas exposições coletivas, dentro e fora do Brasil, três se destacam: Galeria Hatos em Tóquio, Galeria Hellion em Portland e em Paris na galeria Artistik Rezo.

O estilo de trabalho vem baseado nas histórias ilustradas no séc. XIX. Artistas como Gustave Dore, J.J. Grandville, Edmund Dulac e muitos outros ilustradores influenciam seu trabalho. “Tento resgatar nas minhas ilustrações a forma e as técnicas que as imagens eram feitas naquela época; com desenhos cheios de hachuras feitos em chapas de cobre, impressos manualmente. Fazendo assim com que o trabalho manual não morra. Sempre gostei de trabalhos em pequena escala, fazer pequenos desenhos em que alguns detalhes precisavam ser feitos com lente de aumento sempre foi uma diversão pra mim.

Mas atualmente a satisfação maior está em trabalhos de grandes proporções, sair do ateliê para trabalhar em uma parede na rua tem sido muito gratificante”.