36ª edição do Prêmio Shell tem artistas gaúchos na disputa pelos troféus

36ª edição do Prêmio Shell tem artistas gaúchos na disputa pelos troféus

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Maior e mais longeva premiação nacional de teatro do país, a 36ª edição do Prêmio Shell tem artistas gaúchos na disputa pelos troféus. Produzido pelos grupos Máscara EnCena e Miseri ColoniGeppetto disputa a estatueta de destaque nacional, destinada a montagens desenvolvidas além do eixo Rio-São Paulo. É a primeira vez que um espetáculo do Rio Grande do Sul concorre nessa categoria. Já o Coletivo Gompa está indicado ao prêmio de melhor direção para Camila Bauer por Instinto.
  Geppetto tem como inspiração o clássico As Aventuras de Pinóquio: história de uma marionete, lançado pelo italiano Carlo Collodi, em 1883. Mas, na versão gaúcha, os protagonistas não têm os mesmos nomes da fábula conhecida mundialmente. O roteiro retrata a relação entre um filho e o pai, que precisa de cuidados com o avançar da idade. Tudo surgiu a partir da experiência pessoal de Fábio Cuelli, que utiliza boneco híbrido e marionete em cena. Recentemente, a peça venceu o Prêmio Açorianos 2025 nas categorias melhor espetáculoator (Fábio Cuelli), dramaturgia (Nelson Diniz) e cenografia (Mario de Ballentti e João Luiz Cuelli).
  — A indicação ao Prêmio Shell veio como uma surpresa muito feliz. Existe um sentido muito valioso para todos que integram este trabalho, e isso reverberou intensamente no processo de criação. A diretora Liane Venturella é uma das grandes atrizes gaúchas com reconhecimento nacional e internacional, fruto de seu talento único e de sua imensa dedicação ao teatro. Nesse espetáculo, nos encontramos para dar vida a uma história de cuidado e finitude, uma situação de vida que atravessa profundamente inúmeros espectadores. A indicação na categoria destaque nacional soma-se às conquistas que o espetáculo já teve no Rio Grande do Sul e projeta Geppetto em nível nacional, dentro de um dos prêmios mais tradicionais e importantes das artes cênicas no Brasil — explica Fábio Cuelli.
  Instinto esteve em cartaz no SESC Copacabana, no Rio de Janeiro, no ano passado, chamando a atenção do público e da crítica especializada. A temporada carioca rendeu a indicação de melhor direção para Camila Bauer. Vencedora do prêmio norueguês Ibsen Scope, a montagem do Coletivo Gompa é uma metáfora do panorama político mundial, muitas vezes, marcado pelo extremismo. A produção é baseada na obra Brand do renomado dramaturgo norueguês Henrik Ibsen (1828 – 1906). Só que, nessa adaptação, os atores Alexsander VidaletiFabiane Severo, Liane Venturella e Nelson Diniz atuam como macacos enjaulados, utilizando máscaras de látex que cobrem a cabeça inteira. Mesclando teatro, dança, música e artes visuais, a peça expõe o limiar entre o ser humano e a representação de primatas, interrogando com humor e sarcasmo os limites tênues da nossa própria humanidade.
  — Fiquei muito honrada com a indicação ao Prêmio Shell de direção. Trata-se de um dos principais prêmios nacionais e só de estar entre tantos artistas maravilhosos, rompendo esta barreira geográfica, já é uma enorme conquista. Com o Coletivo Gompa, estamos há anos circulando pelos principais festivais do Brasil e com diversas colaborações internacionais, então esta indicação sela um momento muito bonito do coletivo, o que nos deixa muito felizes. Instinto é um trabalho construído de modo muito colaborativo entre a equipe, marcando um modo de criar com o qual tenho me comprometido — comemora Camila Bauer.
  O gaúcho Ricardo Vivian está indicado na categoria melhor iluminação. Mas por uma montagem do Rio de Janeiro: Lady Tempestade, protagonizada por Andrea Beltrão. A cerimônia de entrega dos prêmios será realizada no dia 18 de março, em São Paulo.