VERÃO DE POBRE | Por Zurba Fagundes

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Bueno, gentarada, a partir de hoje eu também vou estar por aqui, contando uns causos, umas verdades que acontecem por este nosso Rio Grande, Brasil e o mundo. E como estamos ainda no verão, nada melhor do que mostrar que a praia não é só coisa de rico não, ao contrário, ela tá lá, disponível prá qualquer despossuído, como eu e tu.

E me fui, prá contar quais as maiores características do verão de pobre, esta espécie que abunda no nosso rincão…

Litoral gaúcho se divide em Norte, Sul e Costa doce, charmosos mas sem pobres. Estes nós só vamos encontrar no Lami ou Itapoã, às margens do Guaíba e onde se chega, lógicamente, de ônibus. Aí começa o descamisado-tour, já que conseguir entrar no buzum apinhado de outros pobres é uma proeza. Dicas: quando o coletivo chegar na sua parada, esqueça as boas maneiras e se jogue lá dentro, mesmo que aquela velhota de 90 anos tenha que ficar de fora e esperar o próximo. Azar dela! Uma vez lá dentro, aguarde com paciência a gorda cheia de sacolas e uma baita mochila desatravancar a roleta, quando achar as moedas da passagem. Não tenha pressa, afinal, ela vai congestionar o corredor mesmo… Aproveite a viagem, sinta o aroma de galinha com farofa emanando no ar, a gritaria da gurizada, aquela mulher histérica no celular contando as perseguições da patroa, e a paisagem. Não é de bom tom comer antes de embarcar por causa da buraqueira na estrada, que pode dar um baita revertério nas lombrigas, e o pessoal não tem muita paciência com gases. Não se preocupe em desembarcar no ponto certo. Quando chegar na praia, a pobraiada vai acabar te arrastando prá fora do ônibus mesmo, tu queira ou não descer ali. E relaxe! Desceu? Respire fundo, sinta entrar nos pulmões o ar puro, de cachaça com limão, fumaça do churrasquinho de gato, urina e outros odores menos nobres.

Caminhe pela orla, mas cuidado com o cocô dos cachorros. Ele pode estragar aquelas suas Havaianas cor de abóbora fosforescentes, piratas, compradas no Camelódromo em 24 prestações e sem entrada.

Se achar um lugar, sente na beira da praia, naquela areia grossa, também usada na construção civil e observe as pessoas. Ali não tem brancos ou negros, só pardos, cafuzos e mamelucos, as cores do pobre! E mais, nada daqueles corpos brilhantes e suados, nada disso. Ali todos são opacos, por causa da poeira. Coisa boa ver as crianças se divertindo naquela água barrenta, aos berros, com bóias de câmaras de caminhão ou pedaços de embalagens de isopor prá não se afogarem, enquanto os pais estão ao redor da churrasqueira (repleta de pão e pé de galinha), dançando um funk pegado. Deu fome? Não é problema: vá até aquela carrocinha com uma placa de “sanduiche natural” e compre um churros, já que o dono não é louco de tentar vender sanduba natural prá pobre.

Uma circulada no centrinho tenha cuidado com os carros, todos de marcas que já não se vê em outros locais como Monza, Verona, Apollo ou algum Chevettão tunado, com o som a todo volume. O grande perigo de um carro bater em ti é a morte por causa da gangrena, provocada pela ferrugem dos veículos… No mais, é só alegria! Gordas com biquíni 2 ou 3 números menor, homens barrigudos com sungas rosas (que outrora eram vermelhas), a paquera pegando solta depois de 3 ou 4 cervejas quentes e as brigas, claro, por causa de algum ciúme infundado, um pedaço de carne roubado, ou qualquer outro grave motivo nada a ver. E no final da tarde a alegre volta prá casa, se tu conseguir entrar no ônibus, é claro…

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