A qualidade da nossa democracia (I)

O voto, base para a organização da nossa democracia, tem uma importância fundamental para nossa qualidade de vida. Há quem, no povo sempre ludibriado, que não acredite nisso. Mas é pelo voto que elegemos nossos governos e representantes, e são estes que deveriam conduzir as políticas públicas mais importantes para nossos dias, legitimados que foram pelo voto popular.

Deveriam, mas não estão conduzindo seus mandatos para realizar aquilo que por maioria escolhemos como nosso modelo de cidade, de estado, de país. Por se distanciarem dos desejos do povo expressos no voto, estão se deslegitimando, e as megamanifestações desde 2013 apenas demonstram o que as pesquisas de opinião confirmam: dentre as instituições menos acreditadas estão os governos e os parlamentares. Triste. A desconfiança é hoje o elo entre representantes e representados, já que aqueles têm atendido na verdade seus interesses e os dos que os sustentam com o poder. Corrompidos e corruptores, tiram para suas contas pessoais o que deveria estar indo para a infraestrutura, a saúde, a segurança pública, a educação. Roubando para si, roubam de nós no que temos de mais importante: nossa qualidade de vida, nossa esperança de futuro melhor e de presente menos violento.

Se não fosse importante, o voto já teria sido substituído. Quando o é, falta o fundamental: a liberdade, e reinam os tiranos. Revoluções cassam o voto, e o substituem por formas sempre tiranas de decidir e fazer. Pois apesar das imensas dificuldades porque está passando a Venezuela, no voto já se ganhou agora a maioria parlamentar, primeiro passo para se reconquistar as instituições para a sociedade venezuelana, e não esse arremedo de pacto que fizeram suas elites com Chavez e Maduro. Mortes, prisões políticas, mas as lideranças optaram pela luta através do voto, que tem dia para ser dado. Esperaram. No Equador (pelo voto, não ao quarto mandato), na Argentina (pelo voto agora Macri com suas políticas liberalizantes e suas reformas devolvendo dignidade ao país), no Paraguai (com sua política de integração ao mundo e não submissão aos bolivarianos), vão caindo os tiranetes que são sempre associados à corrupção, à desigualdade e à injustiça finalmente, ao subdesenvolvimento.

Pois estamos celebrando neste fevereiro os 84 anos de conquista do voto da mulher. Ainda não é o voto na mulher, porque os partidos políticos reproduzem até hoje com sua falta de democracia interna a estrutura do poder maior e do dinheiro que o conquista. Mas já foi o começo. Persistamos.

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