Rios Navegáveis no Rio Grande do Sul – Parte II | Por Dilmar Isidoro

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De acordo com pesquisas de Adi Collaziol, Especialista em Transporte Hidroviário no Rio Grande do Sul, os Portos Interiores gaúchos têm muitos problemas de infraestrutura, conjugados com o baixo calado (distância vertical entre a superfície da água e a parte mais baixa do navio naquele ponto). Além disso, a sinalização das hidrovias dificulta os demandantes de cargas à escolha deste modal.

Por isso, a navegação aquática perdeu competitividade, as cargas foram desviadas para o transporte rodoviário e isso causou acentuado declínio no sistema portuário. A perda de competitividade deu-se por vários motivos, se destacando: [a] Legislação portuária obsoleta e adversa à dinamização da esfera e do mercado global; [b] Escassos recursos do setor público para investimentos; [c] Pouca percepção das vantagens competitivas por parte dos governos e da sociedade produtiva; [d] Desmobilização da indústria naval gaúcha e brasileira com a extinção de várias empresas, entre elas o Estaleiro Só.

Collaizol nos diz que é preciso reafirmar que não faltam cargas aos Portos Interiores gaúchos, mas faltam condições para atender eficientemente os demandantes em virtude das carências existentes na infraestrutura portuária e hidroviária. As poucas iniciativas e os muitos abandonos, nos últimos tempos, aumentaram a resistência das ações públicas e a desconfiança da sociedade quanto à capacidade de enfrentamento desses problemas.

Cabe ressaltar que existem prós e contras para ressurgir o transporte aquático. Entre as vantagens destacam-se: [1] É o meio de transporte com menor custo; [2] É capaz de transportar grande quantidade de produtos volumosos e pesados. Portanto, tem grande capacidade de carga sendo econômico para longas distâncias; [3] O custo de perdas e danos é mais baixo se comparado a outros modais; [4] Tem baixo custo de energia, por isso tem menor impacto ambiental e [5] São reduzidas as possibilidades de ocorrer acidentes, desde que sejam cumpridas as regras básicas.

As principais desvantagens são: [I] Problemas portuários; [II] Transporte lento; [III] Disponibilidade limitada de embarcações; É preciso haver transporte multimodal, já que, em geral, o transporte aquático é associado ao ferroviário ou rodoviário. Isso requer equipamentos de logística; [IV] A sinalização das rotas deve ser permanente; [V] No período de estiagem, a navegação tem reduzido o nível dos rios.

Segundo a análise de Erika Lucena, Instituto Paulista de Ensino e Pesquisa Logística, a utilização de rede hidroviária precisa de sistema de infraestrutura que demanda: abertura de canais para ligação de vias fluviais naturais; a adaptação dos leitos dos rios para profundidades adequadas; correção do curso fluvial e vias de conexão com outras redes; sistema de conservação e instalações portuárias; barragens e outros tantos quesitos essenciais para que possa haver aproveitamento que satisfaçam os investimentos. Ainda, alguns rios podem apresentar dificuldade de navegação para embarcações grandes, devido as diferentes características, pois é preciso avaliar a profundidade, trechos estreitos e curvas fechadas.

O sistema tem alta rentabilidade, se houver necessidade de investimentos, haverá rápido retorno. Devido à vantagem econômica da navegação fluvial sobre outros meios de transportes, cria-se pressão para que se opere com embarcações maiores. Deve-se considerar que é necessário que as embarcações estejam corretamente projetadas, considerando as características das vias para maximizar a segurança e eficiência.

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