Desperdícios de alimentos no Brasil. Isso precisa mudar | Por Dilmar Isidoro

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Antes de contextualizar esta matéria que trata do preocupante desperdício de alimentos, é preciso mencionar certos quesitos essenciais da economia que servirão de base para ilustrar a importância deste assunto. A escassez de recursos disponíveis para atender a demanda dos desejos humanos é real, por isso as sociedades definem suas prioridades.

Neste cenário de entraves explícitos, devem-se observar duas valências importantes: [a] as necessidades humanas são ilimitadas e [b] a produção de bens e serviços diversos é limitada. Destarte, se diz que os problemas essenciais da economia são: [1] o que produzir; [2] quando produzir; [3] como produzir e [4] para quem produzir.

Depois da exposição deste instrumental teórico, começamos a observar a realidade da produção de alimentos no Brasil e constatamos que o volume do desperdício é absurdamente alto. A dimensão continental do Brasil combinado com a grande extensão de terras férteis, coloca o País na condição de ser um dos maiores exportadores de produtos agrícolas do mundo. São muitas dezenas de Países que importam do Brasil, uma vasta variedade de produtos agrícolas in natura conhecidos no exterior como commodities.

Segundo uma instituição de pesquisa internacional a World Resources Institute estimasse que no Brasil, anualmente, são desperdiçados 41 mil toneladas de alimentos. Essa perda começa na colheita, passa pelo armazenamento, pela distribuição, pelo varejo e a cadeia do desperdício finda nos hábitos imperceptíveis dos consumidores. As perdas no começo da cadeia de alimentos são comuns em Países emergentes que, em geral, têm incipientes condições tecnológicas e rudimentar manejo das lavouras. Também, há carências nas estruturas para estoque da produção e infraestrutura inadequada para o escoamento das safras.

Em Países de renda média e alta, a maior contribuição para o desperdício é do consumidor, onde o descarte pode ocorrer devido a fatores culturais, como o gosto pela abundância à mesa, compras excessivas, armazenamento inadequado dos alimentos ou desinteresse pelo consumo das sobras.

Este lastimável desperdício têm implicações, pois milhões de pessoas no Brasil e no mundo, não têm acesso aos alimentos. Estimativas de Organizações não Governamentais – ONG’S afirmam que milhões de pessoas sofrem com a desnutrição e suas consequências severas. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação no Brasil, 30% do que se produz no mundo é desperdiçado antes de chegar aos consumidores. Isso provoca segundo a Entidade, prejuízo estimado em US$ 940 bilhões por ano o equivalente a 1,3 bilhão de toneladas.

Sendo pragmático e ao mesmo tempo realista, a produção de alimentos precisa aumentar para suprir a crescente demanda, tendo em vista o crescimento da população, isso gera pressão natural para elevar a produção havendo impacto para maior disponibilidade de solo fértil, mais água, energia e nutrientes necessários ao plantio. Todavia, o acréscimo de produção com o uso de novas áreas agrícolas, pode não ser necessário integralmente se houver maior controle e redução do desperdício de alimentos.

É importante salientar que diante das frequentes mudanças climáticas, da escassez de recursos e do crescente flagelo alimentar de milhões de pessoas no mundo, a redução do desperdício deve ser prioridade global. Diante deste panorama, vê-se que racionalizar e preservar alimentos precisa ser rotina de todos, pelo bem de todos.

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