Ilhas Malvinas ou Falkland Islands? | Por Dilmar Isidoro

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Há 35 anos (em 1982), o confronto bélico entre Argentina e Inglaterra foi um dos fatos marcantes da década de 1980 que começava um novo tempo na história recente. Naquela década, cessaram as ditaduras militares na América Latina; findava a guerra fria entre EUA e URSS; a queda do muro de Berlim unificou a Alemanha e a fragmentação da URSS a transformou em Rússia. No Brasil, eleições democráticas ganharam força e se tornaram realidade em 1985. Logo adiante, em 1991 formou-se o MERCOSUL que tinha o objetivo de fortalecer os laços comerciais no cone sul, seguindo a tendência mundial para formação de blocos econômicos.

A década de 1980 foi importante, porque foi um tempo símbolo de mudanças históricas num mercado prestes a ser tornar global, logo à diante. Em meio a este turbilhão de novidades e esperanças de um novo tempo para virar a página dos horrores da 2ª. Guerra Mundial havia ainda dois conflitos bélicos que preocupavam o mundo: a guerra entre Irã e Iraque (1980-1988) por razões de fundamentalismo religioso e a guerra entre Argentina e Inglaterra (04/1982-06/1982) motivada pela disputa de um território ultramarino. Os argentinos chamam o arquipélago de Ilhas Malvinas, os ingleses de Falkland Islands. É sobre este estado de imbróglio que se concentra esta matéria. Os argumentos, de parte a parte, explicam o porquê de a disputa ser secular e, pelo que tudo indica, não tem prazo para terminar.

A primeira ocupação da ilha foi feita pela França (1764-1767) que reconheceu a soberania da coroa espanhola, mesmo com assentamento britânico. Depois da saída dos espanhóis em 1811, as ilhas ficaram sem população fixa e se tornaram moradia esporádica de pescadores. Conta à história que a disputa começou no século XIX.

As ilhas foram de domínio argentino entre 1820 e1833, quando foram ocupadas pela Inglaterra. A Argentina alega que após sua independência em 1816 as ilhas continuaram sendo espanholas e que as herdou da Coroa Reino Espanhol. Em 1825, os ingleses reconheceram a independência argentina e não reclamaram a posse das ilhas. Afirmam os argentinos que os ingleses deixaram as ilhas em 1774 e ficaram em silêncio por mais de 50 anos, apenas se manifestando quando a Argentina, após a independência, tomou medidas para consolidar a soberania no arquipélago na década de 1820. Em 1829 a Argentina designou Luis Vernet, governador do arquipélago. Ele ficou no cargo até 1833, quando uma esquadra militar inglesa o expulsou junto com os habitantes argentinos.

Por outro lado, o governo inglês afirma que foi o primeiro a chegar ao arquipélago com o capitão britânico John Stong em 1690, ele chamou as ilhas de Falkland em homenagem ao patrocinador da viagem, o Visconde de Falkland. Os ingleses, dizem que em 1765 uma expedição chegou à ilha de West Falkland e em 1766 outra expedição fixou assentamento. O local foi abandonado em 1774, mas a soberania nunca foi cedida ou abandonada. Os ingleses alegam que o assentamento espanhol em East Falkland foi deixado em 1811 e as ilhas ficaram sem habitantes e sem governo.

Após 150 anos de ocupação inglesa, a Argentina decide retomar a força o controle das Ilhas, ambos ignoraram os apelos internacionais e da ONU para discutirem na corte a soberania do arquipélago com diálogo. Estava deflagrado o confronto bélico entre Londres e Buenos Aires. A guerra foi curta com duração de apenas dois meses (abril de 1982 a junho de 1982). A Inglaterra recuperou o controle das ilhas pelo uso da força em meio ao constrangimento do povo argentino pela derrota.

Após a guerra, as relações entre os dois Países ficou atritada e somente na década de 1990 foram restabelecidas. Desde o fim da guerra, as ilhas são administradas por um governador britânico e um conselho. Na economia, a criação de ovelhas e a produção de lã são as principais atividades do arquipélago. A lã e o couro são os produtos mais exportados. O condado ultramarino importa quase tudo: alimentos, combustíveis, têxteis, máquinas, etc.

Recentemente, análises concluíram que lá existem ricas jazidas de minério e petróleo. Os ingleses dizem que tem o direito de extrair estas riquezas minerais. Estima-se que seja possível extrair até 120 mil barris diários de petróleo em 2018. Argentinos e ingleses têm seus argumentos e o desfecho está longe do fim, porque ambos vão continuar a postular o controle geopolítico das ilhas.

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