Cuba sem Fidel Castro: mudanças à vista ou manutenção do sistema? | Por Dilmar Isidoro

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Cuba é daqueles Países que desperta a curiosidade dos estrangeiros. Por um lado, a educação e saúde gratuitas e de qualidade aos habitantes são diferenciais interessantes. Por outro lado, Cuba tem poucos recursos financeiros e tecnológicos. A revolução cubana proíbe a acumulação de riqueza. O Estado dita as regras para a equidade social. Devido aos embargos conduzidos pelos EUA, o País busca dinheiro no exterior exportando médicos e professores.

Sempre que se fala em Cuba, liga-se o País a Revolução Socialista e ao caudilho Fidel Castro. Os embargos para aquisições de produtos capitalistas expõem os efeitos da estagnação do País no tempo. Ao visita-lo ou ver imagens, fica a impressão de voltar às décadas de 1950/1960. Carros antigos como os charmosos Cadillacs são vistos por todo lado.

A ilha caribenha vive sem democracia há muitas décadas. O antecessor de Fidel – Fulgêncio Batista – governou a ilha como ditador, era acusado de corrupção e uso de violência para manter o poder até ser destituído pela Revolução Cubana liderada por Fidel Castro em 1959.

Desde então, a ilha foi reduto do poder de Fidel Castro por quase meio século. Mas, agora pode estar iniciando um novo tempo. O fim do ciclo de vida do velho caudilho abriu fronteiras de possibilidades para haver mudanças significativas na forma de Governo, na economia e nos hábitos da população.

Fidel, sempre se posicionou abertamente como oposição aos EUA e aliado da (hoje) Rússia. A revolução socialista cubana reduziu as desigualdades sociais, melhorou o sistema da educação e saúde no País, desapropriou terras, perseguiu e prendeu inimigos, de acordo com o modelo da cartilha stalinista. Fidel anunciou ao mundo sua ideologia marxista-leninista, uma atitude desafiadora ao Governo norte-americano, já que Cuba está a poucos km dos EUA.

O apoio armamentista e financeiro da ex-URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) – hoje Rússia – foi essencial à manutenção do sistema na época da guerra fria, e isso despertou a ira dos EUA que impôs muitos embargos para isolar a ilha do mundo tornando a República Cubana pária, enquanto perdurar a ditadura socialista.

Com adeptos do regime de um lado e opositores tenazes de outro, Fidel se manteve no poder até 2008, mesmo com isolamento dos EUA. Quando os efeitos da longevidade pesaram, ele passou o poder ao seu irmão, o também revolucionário, Raúl Castro que assumiu a Presidência do País. O que houve de diferente na transição de poder dos irmãos “Castro” é que Cuba já não é governada por um único homem como era com o ditador Fidel. Pelo que se observa, a liderança de Raúl é guiada e acompanhada pelo Partido Comunista – único oficial e permitido em Cuba.

O desejo manifestado por Raúl a estudantes universitários, é que o futuro Presidente seja indicado pelo partido único. Todavia os tempos são outros, Raúl Castro está muito idoso (86 anos de idade) e não planeja continuar no poder. O apoio de outros Governos socialistas minguou. A União Soviética (hoje Rússia) se fragmentou, embora continue com poder e influência mundial; a Venezuela enfrenta forte crise política e econômica com seu “chavismo” e o Brasil não tem mais o PT no poder, esgotando-se os financiamentos e o apoio político. Ante a essas esfinges, a transição política ocorrerá em abril/2018 com fortes especulações internas e externas.

O Governo cubano terá que vencer obstáculos. O novo Presidente precisará convencer a população do caminho que será escolhido, isto é, manter tudo como está ou fazer mudanças profundas na ideologia política e na economia. Segundo analistas, observadores e estudiosos acerca da ilha caribenha, ao contrário de Fidel, Raúl é pragmático; bom administrador; escuta seus assessores; valoriza o trabalha em equipe e sabe que lhe falta o carisma que tinha Fidel.

No política externa, os avanços diplomáticos obtidos entre Raúl Castro e Barack Obama não tiveram manutenção e progressos no Governo de Donald Trump, ao contrário, o atual Presidente dos EUA não parece muito disposto a estabilizar e aprofundar as relações bilaterais, enquanto permanecer a ditadura e o socialismo em Cuba.

O que há de concreto até o momento, é que o parlamento cubano confirma o Partido Comunista do País como a força dirigente máxima do País. A Assembleia Nacional, mantém a proibição da concentração de riqueza, reafirma o sistema político com apenas um partido e o predomínio da propriedade estatal socialista, embora sejam permitidos alguns negócios privados e investimentos estrangeiros. O parlamento ratifica a convicção na revolução socialista. Presume-se que o atual vice-presidente Miguel Díaz-Canel (57 anos), seja o candidato indicado para ser o próximo Presidente.

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