Como estão os estádios, sem uso, depois da Copa do Mundo no Brasil? | Por Dilmar Isidoro

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Passados mais de três anos da melancólica participação do Brasil na Copa do Mundo de futebol realizada no País, ficamos a observar o pseudo legado que oculta a verdadeira herança à sociedade brasileira. Em um jogo de interesses políticos, o Governo Federal subestimou a capacidade de entendimento da sociedade e, ao mesmo tempo, demostrou enorme incompatibilidade com a expertise necessária para administrar o maior evento esportivo do mundo.

Após o anuncio oficial da FIFA que o Brasil seria sede dos jogos da Copa do Mundo de 2014, o Governo estimulou a sociedade nacional a experimentar sentimentos de orgulho mesclado com promessas de gerações de empregos e melhorias estruturais urbanas que ficariam para uso dos brasileiros, após o evento. Tudo não passou de falácias por interesses políticos, mais uma vez.

Acerca disso, entendo que há, pelo menos, 04 comprovações que tornam exequíveis a clara falta de coerência do poder público na condução daquelas demandas: [1] falta de profissionais capazes para conduzir o gerenciamento destes projetos; [2] descumprimento de orçamentos; [3] não cumprimento dos prazos para conclusões das obras de infraestrutura urbana e [4] construções de estádios em Estados sem tradição futebolística no Brasil. A maioria dos brasileiros sabe que os mais vultosos investimentos no futebol nacional, se concentram nas regiões sudeste e sul. As demais regiões, embora apreciem sobremaneira este esporte, ficam em posição secundária quanto à preferência dos investimentos mais significativos, algo que, a meu ver, está ligado a cultura de que os clubes de futebol do sudeste e do sul, representam todo o País. Esta é uma questão que divirjo frontalmente.

Na contramão da preferência por investimentos, o Governo Federal da época do evento (Partido dos Trabalhadores), autorizou construir arenas esportivas com recursos públicos em regiões que não têm clubes de grande expressão nacional. As capitais escolhidas [Natal, Manaus, Cuiabá e Distrito Federal] sediaram apenas 04 jogos de seleções cada uma, exceto o DF que sediou, além destes jogos, a disputa pelo 3º lugar. A alcunha de elefantes brancos estava predestinada, mesmo antes de serem construídos. Isto porque Natal, Manaus, Cuiabá e Brasília não têm campeonatos de futebol expressivos o bastante para atrair torcedores para os mais de 40 mil lugares disponíveis nas arquibancadas.

Em Cuiabá, a situação é lamentável. A Arena Pantanal, que custou cerca de R$ 626 milhões está abandonada. A Arena das Dunas (Natal) está sendo investigada pela Polícia Federal, por suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro na construção do estádio, além de superfaturamento de R$ 77 milhões. A Arena da Amazônia (Manaus) é alvo de investigações por fraude na licitação. O custo da construção foi estimado em R$660 milhões. O Estádio Nacional Mané Garrincha em Brasília foi o mais caro, o custo da obra foi de R$ 1,8 bilhão. Também nesta praça de esportes, há investigações acerca de suspeitas de superfaturamento que pode chegar a R$900 milhões.

Estas 04 arenas acumulam prejuízos mensais de muitos milhões de reais. Outro fator crítico é a não conclusão de muitas obras de infraestrutura que haviam sido prometidas à sociedade, como grande legado da Copa do Mundo no Brasil.

A verdade é que esses estádios foram construídos sem haver planejamento e visão de negócios. É factível afirmar que os projetos tinham muitas falhas, em especial, quanto à ausência da análise de viabilidade econômica. Foram ponderados apenas a geração de empregos temporários, enquanto houvesse as construções. O Governo Federal da época passou a ideia à sociedade que após a Copa, as arenas seriam de multiuso.

Todavia, esta percepção ficou apenas no campo das suposições, sem, contudo, haver estudos mais complexos acerca do cenário de cada localização onde foram erguidas as arenas. Agora, vemos a dura realidade do acúmulo de fracassos devido ao uso a esmo do dinheiro público. O mais incrível é observar que as pessoas que autorizaram as construções dessas obras caríssimas, hoje se omitem e não foram responsabilizadas. Tudo caiu no esquecimento.

Com estes exemplos perversos de uso do erário, é crível dizer que isso contribuiu para elevar ainda mais o enorme déficit fiscal, além de expor a coletividade nacional o alto custo social dessas obras desnecessárias.

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